Quando Fernando Santos ganhava cinco euros por mês no Benfica

Quando Fernando Santos ganhava cinco euros por mês no Benfica
Rodrigo Cortez

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Selecionador relembra os dias em que jogou de águia ao peito

Quando, no dia 1 de janeiro de 2002, os portugueses trocaram de unidade monetária, um euro equivalia a 200 escudos. O que significa que, ao câmbio dessa altura, o primeiro ordenado de Fernando Santos no Benfica, ainda como jogador, correspondia a nada menos do que... cinco euros.

Foi o próprio a contá-lo, esta quarta-feira, perante uma plateia de jovens universitários, na Faculdade de Motricidade Humana, em Oeiras. "O Benfica dava-me mil escudos por mês e ainda me pagava os estudos", disse o agora selecionador nacional, ainda que seja necessário salvaguardar que, com a inflação à mistura, a quantia corresponderia naturalmente a uma verba mais elevada.

"Quando o Benfica me ofereceu contrato, eu fiquei todo contente, saí de lá e fui para casa a pensar que ia dar uma grande notícia. Estava convencido que ia ser uma grande festa lá na Penha de França [freguesia do centro de Lisboa], que ia haver foguetes e tudo. Então, quando cheguei a casa, sentei-me à mesa e disse: 'Pai, vou jogar para o Benfica!' Ele olhou para mim, virou-se e disse: 'Não vais!' Eu disse que ia ele insistiu e estivemos ali naquilo durante uma hora. Até que chegámos a um acordo, quando o meu pai disse: 'Ok, vais, mas no dia em que chumbares na escola acaba-se o futebol. Só vais com esta condição, que é a de nunca poderes chumbar.' Fizemos esse acordo e foi um compromisso que na realidade marcou a minha vida", contou um bem-disposto Fernando Santos, explicando que a ida para as águias ocorreu ainda na equipa de juniores, em fins da década de 70 do século passado. Em 1971, com 17 anos, acabou por ingressar no Estoril, onde atuou durante 15 temporadas, com uma no Marítimo pelo meio.