Fernando Santos: "Ser adjunto é mais difícil do que ser treinador principal"

Fernando Santos: "Ser adjunto é mais difícil do que ser treinador principal"
Rodrigo Cortez

Tópicos

Selecionador destaca a importância de uma função que quase sempre passa despercebida

Um treinador vencedor pode ser glorificado, muitas vezes levado em ombros, mas os seus adjuntos não entram para a história. Aos olhos do público, é quase como se não existissem. Para o selecionador nacional, porém, esta será mesmo a função mais difícil de desempenhar de entre todas as que fazem parte de uma equipa técnica.

"Ser adjunto não é para todos. Diria até que é mais difícil ser adjunto do que ser treinador principal", afirmou Fernando Santos esta quarta-feira, na Faculdade de Motricidade Humana (Cruz Quebrada, Algés), durante uma palestra subordinada ao tema: "Do engenheiro ao treinador de futebol. Relatos de uma experiência de vida".

Perante um grupo de alunos da área do desporto, de entre os quais, possivelmente, muitos deles serão futuros treinadores, justificou o selecionador: "Ser um bom adjunto é ser ativo. É difícil porque aos adjuntos compete uma lealdade total ao treinador principal e muitas vezes as ideias não são coincidentes. Ao mesmo tempo um adjunto não pode ser um 'yes man' e dizer que sim a tudo."

O que não significa que não tenha que engolir um ou outro sapo. "Às vezes, mesmo estando a ver perfeitamente que uma determinada coisa é de cor branca, tem de concordar e dizer que ela é preta e não branca", continuou Fernando Santos, avançando a seguir uma das razões que, no seu entender, pode ser suscetível de precipitar o fim de uma relação profissional: "[Se um dia forem adjuntos], não queiram ser o diretor da equipa porque não o são. E muitas vezes é mesmo esse o ponto de colisão. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio."