Fernando Santos: "Equipa que ganha não mexe? Não quer dizer isso..."

Fernando Santos: "Equipa que ganha não mexe? Não quer dizer isso..."
Redação

Declarações do selecionador português antes do confronto com Marrocos, marcado para sábado (15h00) e referente aos quartos de final do Mundial.

Mesmo onze? "No dia em que tiver um jogador que não fica descontente quando não joga, não pode voltar. Não está a fazer nada. Todos ficam descontentes. Os jogadores querem jogar sempre, têm essa ambição. Quando não jogam, ficam com azia. É um facto normal. Os treinadores têm de fazer a gestão de acordo com a estratégia para o jogo. Equipa que ganha não mexe? Não quer dizer isso. Marrocos tem semelhanças com a Suíça? É uma equipa fortíssima. Não sei como se diz que não é favorita. Foi a única equipa que fez sete pontos. Tem quatro golos marcados, um sofrido, um autogolo. É uma equipa bem organizada, de grande qualidade, com vários jogadores que jogam em grandes equipas. Começamos a pensar que é igual. Só quem não viu o jogo com a Espanha é que pode duvidar. Reduz o espaço ao adversário. Amrabat tem sido uma das revelações. Procura sair a jogar, envolve muito os corredores laterais. Pensar que é fácil? Não vai. Basta recordar o Mundial 2018, talvez o jogo mais difícil aí. Tivemos de sofrer muito. Os jogadores sabem isso. Têm de chegar ao campo com o mesmo prazer, sem receios e explanar o futebol em todos os momentos do jogo. Quando não tivermos bola, teremos de ser intensos. Se melhorarmos, acredito que Portugal pode ganhar. O treinador de Marrocos pensa o mesmo."

Marrocos: "Nestas competições, a maioria das equipas já esteve nestas fases. Marrocos tem quatro, cinco jogadores que são confrontados todos os anos com esta situação: ansiedade, poder chegar à final. Marrocos tem um público apaixonado. Ambientes destes os jogadores estão fartos de viver. Temos de colocar em prática o futebol. Não acho que foi perfeito o jogo com a Suíça."

Rússia'2018: "Marrocos estava apurado a dois minutos do fim, na Rússia, se não me falha a memória. Têm jogadores talentosos, têm criatividade do jogador africano, mas têm uma cultura mais forte de jogo coletivo. A maior parte joga na Europa, muito por causa disso. Apesar de não ter nascido em Marrocos, joga pelos avós. Jogam de uma forma apaixonada. Temos de jogar pelos avós, bisavós, trisavós, para podermos ter mais um bocado de fôlego."

Alguns portugueses não querem o sucesso de Portugal? "Não acredito que algum português queira o insucesso de Portugal. Esta questão do Cristiano, quando vimos a conferências, 90 por cento das perguntas são sobre Cristiano, tem a ver com a sua dimensão. O que eu digo é... Não realçar as coisas positivas e pegar em coisas pequenas, como eu ter falado com ele na véspera do jogo... Nem imagino como é que se passou, porque é mentira, claramente mentira."

Lado emocional: "O lado emocional é muito importante. No dia a seguir ao jogo, vejo vídeos do jogo. Não treinamos. Não é preciso, também. Agora é mandar para eles as instruções. Já estive a dar um toque sobre o adversário, com eles, de manhã. O fundamental é o ambiente fantástico entre os 24 jogadores. Sem isso, não estaríamos aqui."

Jogo difícil: "Vai ser um jogo muito difícil. Marrocos é uma equipa fortíssima. Também vai ser difícil para Marrocos."