Navio Escola Sagres: uma casa portuguesa no Rio de Janeiro

Navio Escola Sagres: uma casa portuguesa no Rio de Janeiro
Hélio Araújo, no Rio de Janeiro

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Embaixada itinerante de Portugal durante os Jogos Rio'2016 recebe cerca de 4000 visitas diárias

Uma casa portuguesa, com certeza... no Rio de Janeiro. Desde que chegou à Cidade Maravilhosa, o navio-escola Sagres é, oficialmente, a Casa de Portugal nos Jogos Rio 2016, um espaço onde a comunidade portuguesa pode encontrar-se e matar as saudades do país. Mas, para além dos portugueses que moram no Brasil ou dos que estão a trabalhar por ocasião dos Jogos Olímpicos, o Sagres tem recebido um público variado em termos de nacionalidade, transformando-se numa das atrações mais procuradas pelos turistas, recebendo cerca de 4000 pessoas por dia.

Atracado no Cais da Portuguesa, na Ilha das Cobras, o acesso ao Sagres é feito pelo Boulevard Olímpico, espaço criado pela Prefeitura carioca para os Jogos, que vai da Praça Quinze até à Praça Mauá, à beira da Baía de Guanabara. A presença do navio-escola no Rio de Janeiro é o resultado da parceria entre a Marinha Portuguesa e o Comité Olímpico de Portugal constituindo-se em um fator de motivação para os atletas da Missão Olímpica Portuguesa.

Segundo Rita Nunes, diretora do Gabinete de Estudos e Projetos do Comité Olímpico Português e coordenadora-adjunta da Casa de Portugal nos Jogos Rio 2016, trazer o atleta português para a comunidade é o principal objetivo do navio neste momento. "O Sagres é uma espécie de Embaixada de Portugal itinerante, que leva o nome do país ao mundo. Aqui são realizados eventos organizados com os parceiros da Missão Olímpica, para os quais os atletas são convidados, a fim de que se sintam em casa. Também são convidados outros portugueses que não fazem parte do Comité, mas atuam nos Jogos, como juízes, dirigentes, treinadores dos atletas e integrantes de Federações. É uma grande confraternização, para que todos se sintam em casa, pois o navio é considerado território português", lembra.

O público que visita o Sagres encontra, logo na chegada ao píer, do lado de fora da embarcação, um grande palco, cujo piso contém o mapa mundi, que mostra, além do trajeto da viagem de Lisboa ao Rio de Janeiro, os nomes dos atletas que participam dos Jogos Rio 2016 e dos medalhados portugueses ao longo dos anos. "A nossa delegação tem 92 atletas, que disputam 13 modalidades. Desde que iniciou a participação em Jogos Olímpicos, em 1912, Portugal conquistou 24 medalhas, sendo quatro de ouro (todas no atletismo), oito de prata e 12 de bronze, incluindo a da judoca Telma Monteiro, conquistada aqui no Rio de Janeiro", destaca Rita Nunes.

O passeio continua a bordo do navio, onde os visitantes conhecem a proa, a popa e todo o convés, com os enormes lemes e demais equipamentos, local preferido para as tradicionais selfies, muitas delas ao lado dos marinheiros portugueses. Os tradicionais doces da Arte Conventual, como o pastel de nata, ovos moles, pastel de Santa Clara e travesseiro de Sintra, podem ser adquiridos e consumidos durante a visita ao Sagres, o que, com certeza, compensa a grande espera na fila.

Um navio histórico

O atual navio-escola Sagres foi construído nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo, na Alemanha, em 1937, tendo, na altura, recebido o nome Albert Leo Schlageter. Era o terceiro de uma série de quatro navios encomendados pela marinha alemã. Três anos após o fim da guerra, a embarcação acabou cedida à Marinha do Brasil, com o objetivo de fazer face aos danos causados pelos submarinos alemães aos seus navios. Em 1961 foi adquirida por Portugal.
Considerada a principal embarcação de preparação e treinamento de cadetes da Marinha Portuguesa, o Sagres, além de formar os sargentos, oficiais, aspirantes e marinheiros portugueses, funciona como um espaço de promoção da cultura do país, um símbolo nacional, que há mais de 53 anos leva a bandeira de Portugal pelo mundo e é motivo de orgulho dos portugueses.
De acordo com o primeiro-tenente João Braz, Relações-Públicas do Sagres, a embarcação serve como ensinamento prático para os cadetes. "Depois das aulas teóricas, eles embarcam para viver a parte prática do curso, ter o contato direto com o mar durante vários dias. É o momento da aprendizagem final", explica o oficial, acrescentando que os cadetes já retornaram a Poetugal.

O navio, famoso pelas velas brancas que estampam a Cruz de Cristo, que era o símbolo da Ordem Militar de Cristo, da qual o Infante D. Henrique foi "regedor e governador", desde 1420, saiu de Lisboa no dia 21 de junho, sob o comando do Capitão-de-fragata António Manuel Gonçalves. Na travessia atlântica até a chegada ao Rio de Janeiro, no dia 3 de agosto, o Sagres visitou a Cidade da Praia na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, e os portos brasileiros de Recife, em Pernambuco, e Salvador, na Bahia. Pelo simbolismo da viagem, em representação do Comité Olímpico de Portugal, junto com tripulação (estimada em 128 militares) veio a velejadora Joana Pratas, que representou Portugal em três Olimpíadas: Atlanta (1996), Sydney (2000) e Atenas (2004).

Após a estadia no Rio de Janeiro, o navio iniciará a travessia atlântica de regresso a Lisboa no próximo dia 22, atracando novamente em Cabo Verde, desta vez no Mindelo, Ilha de São Vicente, de 10 a 12 de setembro. A chegada à capital portuguesa está prevista para 25 de setembro, quando termina a viagem que se estende por 97 dias.

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