Paralímpicos'2016: "Quero pedir para que não desista da vida"

Paralímpicos'2016: "Quero pedir para que não desista da vida"
Hélio Araújo, Rio de Janeiro

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Exemplos de emoção e superação têm sido frequentes nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Os exemplos de emoção e superação têm sido frequentes nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Um caso, em especial, no entanto, chamou a atenção do mundo: o da paratleta belga Marieke Vervoort, de 37 anos, medalha de prata nos 400m com cadeiras de rodas, que sofre de doença degenerativa e anunciou que tem planos de recorrer à eutanásia, transformando os Jogos no Rio de Janeiro na sua última competição.

A nadadora brasileira Susana Schnarndorf Ribeiro, de 48 anos, medalha de prata em 4x50m misto, também portadora de uma rara doença degenerativa, quer encontrar Marieke para tentar convencê-la a desistir da eutanásia. "A história dela tocou-me muito. Se eu puder fazer com que ela mude de ideias quanto à eutanásia, será um feito mais importante do que ganhar qualquer medalha", afirmou.

Susana, que ao lado do canoísta Caio Ribeiro, medalha de bronze na categoria KL3 200m, conversou com jornalistas brasileiros e estrangeiros, no Hotel Nissan Kicks, em Copacabana, quer mostrar à atleta belga que o desporto também pode salvá-la. "Depois que fui campeã mundial em 2013, a minha doença piorou muito. Tive que aprender a nadar de novo, troquei de categoria e enfrentei muitos problemas. Tive momentos difíceis, mas nunca pensei em desistir. A minha doença, assim como a da Marieke, é muito má, grave, mas estamos numa Paralimpíada. Quero muito encontrá-la para pedir que ela não desista, assim como eu não desisti. Mostrar que o desporto pode salvá-la e que a vida sempre guarda coisas especiais", enfatizou.

Para demonstrar sua confiança, a nadadora lembra que, num evento de premiação da Paralímpiada, cruzou com a belga e, com um sorriso nos lábios, disse para Marieke: "Vamos juntas para a Paralimpíada de Tóquio, em 2020".

Tanto Susana Schnarndorf quanto Caio Ribeiro fizeram questão de agradecer à Nissan (ambos são do Time Nissan), ao Time Rio, ao Comitê Paralímpico e ao público que compareceu às provas. "O apoio dos patrocinadores é fundamental para chegarmos aos resultados positivos, assim como o apoio da família e do público. É emocionante. A torcida brasileira acabou se transformando em uma família durante a competição. A união de todos foi uma coisa maravilhosa", concluiu Caio.