"Sinto-me preparado para treinar na Liga Bwin"

"Sinto-me preparado para treinar na Liga Bwin"
Miguel Gouveia Pereira

ENTREVISTA >> Luís Gonçalves sente que, "com uma pontinha de sorte", Moçambique podia estar a disputar a CAN, competição no qual considera que os Camarões, de António Conceição, são os favoritos

Luís Gonçalves esteve entre agosto de 2019 e março de 2021 no comando da seleção de Moçambique, cargo que deixou de forma inesperada. A O JOGO, o treinador considera que ainda havia muito por fazer e lamenta a "falta de organização dos dirigentes". Perto de completar 50 anos e com um passado ligado à formação, o técnico diz-se preparado para novos desafios e que gostava de treinar na Liga Bwin.

Como analisa a passagem por Moçambique?
-Foi um grande orgulho, até porque treinei o país onde nasci. Em termos globais, a experiência foi positiva, tinha estado lá como adjunto de Abel Xavier e depois fui convidado para selecionador principal. Os resultados estavam a surgir e correu bem até uma determinada altura.

O que mudou?
-Em dezembro de 2019, há eleições na federação de futebol de Moçambique e entrou outra Direção. Continuámos a desenvolver o nosso trabalho, mas depois surgiu a pandemia. Quando voltámos aos jogos oficiais houve muitos problemas e muitas ausências. Moçambique, quando se vê privado de jogadores importantes, como Zainadine, Reinildo, Mexer e Geny Catamo tem muitas dificuldades, até porque a nível interno o campeonato esteve parado muito tempo. Mesmo assim, jogámos com as armas que tínhamos e quase nos qualificamos para a Taça das Nações Africanas.

Ficou surpreendido quando foi despedido?
-Sim fiquei, porque a minha equipa técnica também tinha sido contratada para desenvolver o futebol moçambicano. É um país com muitas limitações em termos de infraestruturas e muitas equipas do principal campeonato não têm campo para treinar. O Estádio Nacional, o Zimpeto, foi interditado nos últimos jogos da qualificação para o Mundial, porque não tinha condições.

O que considera que ficou por fazer?
Era importante desenvolver o jogador a longo prazo e existir uma coordenação entre o selecionador e os outros treinadores. Na minha opinião, as federações têm de ser os motores para definir linhas de orientação. Mas cada país tem a sua realidade e, por vezes, há pessoas que não querem mudar. Estou satisfeito pelo trabalho que efetuei e acredito que, com uma pontinha mais de sorte, podia estar a disputar a a CAN com Moçambique neste momento.

A CAN está a decorrer. Em sua opinião, quem é o favorito a vencer?
-Penso que são os Camarões, porque jogam em casa e até são treinados por um português [António Conceição]. O Egito, de Carlos Queiroz, também é um forte candidato, tal como o Senegal, muito bem orientado pelo Aliou Cissé. Também estou a gostar muito de Marrocos. Mas o futebol africano é muito imprevisível, mais do que o europeu.

Depois da experiência em Moçambique, gostava de trabalhar em Portugal?
-Sim, porque é o meu país, e sinto-me preparado para treinar na Liga Bwin. Já sou treinador desde 1994, já trabalhei na formação e também em outros países. Tenho-me mantido atualizado e gostava de treinar em Portugal. Mas estou pronto para mostrar competência em qualquer lado. Os portugueses são muito competentes no futebol e já exportamos jogadores, treinadores e diretores desportivos.

Pondera voltar a um projeto de formação?
-Neste momento, não é bem aquilo que eu procuro. Dependeria do projeto. Por exemplo, se fosse para treinar uma equipa B ou de sub-23 seria aliciante, porque já são profissionais.