Rafael Veloso até frangos e rifas vendeu, mas já rescindiu com os islandeses

Rafael Veloso até frangos e rifas vendeu, mas já rescindiu com os islandeses
Rafael Toucedo

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Guarda-redes que foi campeão de juniores pelo Sporting, com Sá Pinto e Abel Ferreira, voltou a Portugal após duas experiências no norte da Europa.

A carreira de Rafael Veloso apontava alto, mas o guarda-redes formado na Academia do Sporting tem andado arredado dos grandes palcos. Foi campeão de juniores pelos leões, com Sá Pinto e Abel Ferreira como treinadores, numa altura em que não havia nem equipa B nem de sub-23, e por esses anos fez testes no Atlético de Madrid e no Blackburn. Somou 23 internacionalizações até à categoria de sub-20 de Portugal (participou no Europeu de sub-19 em 2012), representou Belenenses, Deportivo da Corunha B e Oriental, rumando depois à Noruega (Valdres) e à Islândia (IBV). Com um trajeto fora do normal para os jogadores portugueses, encontrou no norte da Europa qualidade de vida e arejou a cabeça, após ser envolvido no processo "Jogo Duplo", cuja resolução ainda está pendente em tribunal. Com a descida de divisão à vista, chegou a acordo com o IBV para rescindir e ao tê-lo feito antes do fecho do mercado está livre no mercado e disponível até depois de 2 de setembro.

"Neste momento o objetivo é simples, continuar a jogar. Estou aberto a qualquer coisa. Se quiserem acreditar em mim, vou de coração aberto. A partir da altura em que a descida de divisão do IBV ficou evidente, falaram comigo porque passaram a apostar num guarda-redes jovem da casa. Dessa forma não fazia sentido continuar lá e chegámos a um acordo para rescindir contrato", conta Rafael Veloso, em conversa com O JOGO.

A aventura nórdica e as suas diferenças culturais causaram alguma surpresa. Apesar do fenómeno que foi a Islândia no Europeu de 2016 (chegaram aos quartos de final), o futebol naquele país insular não aproveitou a ocasião para dar um salto qualitativo e continua a ser quase amador. "Não me arrependi nada acima de tudo de ter ido para a Noruega, pelo que aprendi e pela qualidade de vida. Voltaria tranquilamente. São culturas muito diferentes. Mas na Islândia, por exemplo, os próprios jogadores pagam do bolso o estágio de pré-temporada e muitos vão trabalhar. Nós vendemos caixas de frangos e rifas para angariar dinheiro para pagar o estágio na Turquia, em Antalya, que ainda foi dois mil euros - obviamente que os islandeses conseguiram vender mais porque os locais compravam-lhes a eles. A pesca é muito importante na ilha e para o PIB do país, e às vezes os jogadores vão lá trabalhar uns dias a descarregar caixas de peixe precisamente por causa dessa situação dos estágios. Mas este ano o clube perdeu essa ajuda porque as quotas de pesca foram reduzidas", explica o guarda-redes de 25 anos.

Rafael Veloso sentiu o isolamento de viver num arquipélago (Vestmannaeyjar) com uma população de quatro mil pessoas: "Vivia numa ilha afastada da ilha principal, havia muito isolamento e tínhamos de apanhar o barco para todos os jogos. E no Inverno nem te conto como era para sair da ilha de barco... Os estrangeiros eram profissionais e os locais ou estudavam ainda ou trabalhavam, são semiprofissionais."