Líder do Corinthians pede "cuidado" após acusação a Rafael Ramos: "Pode acabar com a carreira"

Líder do Corinthians pede "cuidado" após acusação a Rafael Ramos: "Pode acabar com a carreira"
Redação

Entidade que averiguou, através da televisão, a discussão com Edenilson indica ser "evidente que a palavra "macaco" não consta na fala questionada", por "não ter havido junção labial"

Ilibado por uma análise do Centro de Perícias de Curitiba, feita na sequência de acusação de racismo, Rafael Ramos foi defendido, publicamente, por Duílio Alves. O presidente do Corinthians sublinha que o lateral "não cometeu um crime" e, por isso, solicita maior cuidado de interpretação, por existir o risco de o denegrir totalmente.

"Acompanhamos o Rafael desde o primeiro momento. A perícia é oficial, tem muita validade e mostra que ele não cometeu um crime. É preciso ter cuidado porque isso pode acabar com uma carreira. Vamos esperar pelas investigações", afirmou o dirigente do clube brasileiro, em conferência perante a Imprensa local.

Duílio Alves expressou repúdio contra eventuais atos racistas, denotando que o Corinthians tem sido parte ativa na luta contra a discriminação, e frisa que as ofensas raciais, vistas pelo dirigente como anacrónicas, devem ter um fim definitivo.

"Somos totalmente contra esse tipo de cânticos, tal como somos contra o racismo e a agressões a mulheres. Temos conversado com os adeptos e feito campanhas, mas é preciso insistir para acabar com qualquer discriminação. Estamos em 2022, não faz mais sentido. É hora de parar", juntou o presidente do "Timão".

Uma análise do Centro de Perícias de Curitiba, pedida pelos advogados do jogador, às imagens televisivas do desentendimento entre Rafael Ramos (Corinthians) e Edenilson (Internacional), por suposto ato racista do primeiro, concluiu que o lateral não pronunciou a palavra "macaco", conforme acusado, mas sim o termo "car****".

Segundo o documento do Centro de Perícias de Curitiba, a que a ESPN Brasil teve acesso, o diálogo entre os dois jogadores, ocorrido há uma semana foi o seguinte: "Eiii... Você está louco?", questionou Rafael Ramos. "Maluco!", respondeu Edenilson. "Pois, cara***!", retorquiu Rafael Ramos, espoletando uma discussão entre ambos.

O Centro de Perícias de Curitiba justifica a "absolvição" de Rafael Ramos, que garantira não ter sido racista para com Edenilson, ao referir que "a sílaba 'ma', que principia a palavra 'macaco', só pode ser pronunciada com junção labial", algo que, de acordo com a perícia, "não foi feito" por Rafael Ramos, lateral contratado ao Santa Clara.

"Diante das características intrínsecas descritas e demonstradas no decorrer deste parecer, é evidente que a palavra "macaco" não consta na fala questionada, ficando comprovado que em nenhum momento houve a junção labial no início da pronúncia", concluiu a perícia solicitada, "para maior clareza", pela polícia de Porto Alegre.

Há uma semana, na sequência de uma acusação feita por Edenilson, por alegado insulto racista, assegurado até publicamente, Rafael Ramos foi detido e, após algumas horas, saiu em liberdade após a direção do Corinthians pagar uma fiança.

O lateral português, acusado de ter chamado "macaco" ao médio brasileiro do Internacional Porto Alegre, vai responder, de acordo com Carlos Butarelli, delegado da polícia federal de Porto Alegre, por um "crime de injúria racial", agora em liberdade.

O incidente entre ambos forçou inclusive à interrupção do encontro, realizado a 14 de maio, entre Corinthians e Internacional durante cerca de cinco minutos. Após o apito final, Rafael Ramos frisou que se tratou de um "mal entendido" e Edenilson reiterou que "não ter entendido errado" o alegado insulto racista proferido no relvado.