"Não escolhi por dinheiro. Ganhei mais na Arábia e no Sporting"

"Não escolhi por dinheiro. Ganhei mais na Arábia e no Sporting"
Rafael Toucedo

Tópicos

Em entrevista, José Peseiro falou do projeto e "da fome de fazer história" com a seleção Vinotinto.

O treinador português José Peseiro assumiu os comandos da seleção da Venezuela em fevereiro, com o sonho de qualificar a Vinotinto, pela primeira vez, para a fase final de um Mundial, neste caso o Catar"2022. Em entrevista ao Global Sports explicou a ideia de jogo e mentalidade que quer incutir e fez questão de frisar que a sua escolha não teve motivações financeiras.

"Não escolhi a Venezuela por uma questão de dinheiro. Se comparo com o que fiz na Arábia ou no Sporting, ganhei mais lá... Também tive uma proposta para treinar o Gana. À Vinotinto levou-me a fome de fazer história e ir a um campeonato do Mundo. Ninguém disse que ir a um Mundial ia ser fácil. Quero que a equipa jogue bem e depois pensar no que aí vem. Todos focados na mesma ideia é possível. Temos de fazer o necessário para isso", frisou, numa entrevista de cerca de duas horas.

Questionado sobre as palavras do atacante Soteldo - treinado por Jesualdo Ferreira no Santos -, que disse que a meta era acabar em primeiro do grupo de apuramento, Peseiro colocou água na fervura: "Como lhe dizes que não podemos? Eu conformo-me com ir ao play-off intercontinental, mas se ele confia, eu acredito nele. E gosto da sua atitude!"

Quando o técnico luso foi apresentado, o presidente da federação venezuelana, Laureano González, frisou ter contratado "o treinador com melhor currículo dos últimos tempos". "É da escola portuguesa, que não é brincadeira e está no topo da Europa", concluiu naquela altura.

A Venezuela está no 25.º lugar do ranking da FIFA e tem uma nova geração de talentos que dá esperança a José Peseiro para conseguir impor um estilo ofensivo, mas ponderado, sem esquecer o seu estilo tradicional: "Quero ter uma equipa com duas caras. Uma capaz de controlar a posse de bola em casa, que possa criar ocasiões ofensivamente, que aproveite os flancos, mas que também tenha envolvência no meio. Mas tudo isto, e isso é a outra cara, sem deixar de ser especulativa, como era com Rafa Dudamel."

"Não podemos viver metidos atrás"
A Venezuela é uma de dez seleções sul-americanas que disputam quatro vagas de apuramento para o Mundial, podendo qualificar-se uma quinta via play-off. Seis destas estão à frente da Venezuela (25.º) no ranking da FIFA, mas Peseiro vê apenas quatro superiores e merecedoras de maiores cautelas: "Não podemos especular cada vez que jogamos em casa, viver metidos atrás. Isso desgasta. Mas é lógico que tenhas de jogar assim contra algumas equipas porque sabes que são superiores, como é o caso de Brasil, Argentina, Uruguai e Colômbia."