"Jorge Jesus olhava e conseguia perceber se tu tinhas bebido até tarde"

"Jorge Jesus olhava e conseguia perceber se tu tinhas bebido até tarde"

Gélson Baresi, ex-defesa que fez parte do plantel do V. Setúbal que Jorge Jesus treinou em 2000/2001, conta pormenores da forma de ser do treinador português do Flamengo

O interesse por Jorge Jesus não pára de crescer no Brasil, daí que quem o conheça em pormenor seja hoje em dia bastante requisitado pela comunicação social daquele país. O caso mais recente tem como protagonista Gélson Baresi, ex-defesa que fez parte do plantel do V. Setúbal que Jorge Jesus treinou em 2000/2001 e que acabou a época no segundo lugar da II Liga e consequente promoção ao mais alto patamar do futebol português.

Entrevistado pela ESPN Brasil, Baresi fala de um treinador exigente e que tinha uma técnica para perceber se os jogadores tinham saído até tarde na véspera dos jogos. "Para os jogos não havia estágio. Ele ficava parado no túnel que dava acesso ao campo à espera de todos os jogadores. Você era obrigado a apertar a mão dele e a dar bom dia em alto e bom som. Com isso, ele conseguia ver se você tinha ido para a noite. Ele olhava para a sua cara e conseguia sentir se você tinha consumido álcool de madrugada", revelou.

Ainda sobre a forma de Jorge Jesus ser fora do campo, o antigo jogador contou um pormenor das refeições daquela equipa sadina. "Ele não deixava levar os telemóveis para o refeitório. Você só podia levantar-se da mesa quando o último terminasse a refeição. Ou seja, ninguém comia rápido para ir para o quarto. Ele usava esse momento das refeições para conversar com os jogadores. Não sei se ele faz isso hoje em dia, ainda mais hoje com a tecnologia".

Sobre as qualidades técnicas e tácticas, Baresi destaca uma frase: "Ele dava uma ênfase muito grande na parte tática e costumava dizer: 'Do pescoço para baixo, os jogadores são todos iguais. A diferença está do pescoço para cima. O que diferencia o bom do excelente é a cabeça'".

Em 2000/01, Gélson Baresi chegou ao V. Setúbal sem saber muito bem quem era o treinador Jorge Jesus: " Eu ainda não tinha informações sobre ele antes de trabalharmos juntos. Ele tinha uma fama de treinador durão, disciplinador. Os jogadores portugueses passavam essa ideia para nós. O Jesus chegou na sexta jornada e passamos a conhecê-lo no dia a dia. Ele trabalhava os jogadores no limite em todos os treinos, até mesmo na parte física e tática. Muitos jogadores não compreendiam isso, levando para o lado pessoal e até ficavam ofendidos. O Jesus é um treinador que vive o futebol 24 horas por dia e transmite muita emoção. Tem horas que ele até extrapola. Não é era uma pessoa de bajular. Os técnicos brasileiros têm um lado paternalista em função da carência dos jogadores. Aqui os treinadores precisam ser pai, terapeuta, administrador...!