Bruno Lage recorda: "Aos 35 anos mudei toda a minha vida"

Bruno Lage recorda: "Aos 35 anos mudei toda a minha vida"
Redação

Entrevista de Bruno Lage para um ponto de situação do trabalho nos Wolves. Depois de seis semanas de pré-época e a sensivelmente 15 dias do início da Premier League, Bruno Lage deu uma entrevista ao site dos Wolves.

O plantel: "Muito, muito bom! O ambiente, as amizades entre eles. As pessoas falam sempre do grande espírito da equipa e agora consigo verificar isso. Mas, e porque acredito que no futebol é assim, a primeira mensagem que lhes transmiti é a de que não podemos viver do passado. Eu estava aqui (em Inglaterra) quando eles começaram este ciclo de quatro anos, na altura no Sheffield Wednesday, e pude ver o que a equipa técnica anterior e todos os jogadores fizeram pelo Wolves. Ganharam o Championship, chegaram à Liga Europa, foi brilhante, fantástico."

O futuro: "Mas agora temos de compreender que ninguém vive no passado, nem ninguém vive no futuro. Eu era um bom jogador, ou serei um bom jogador de futebol - não é importante. O que é importa é o dia a dia. Agora interessa sentir, ver, e continuar com foco para trazer sucesso ao nosso clube."

Pré-época: ""Em cinco jogos, ganhámos três e perdemos dois, mas não se trata de ganhar ou perder. Nessas partidas, fizemos coisas boas, havendo, claro, coisas que precisamos de melhorar, mas estou muito contente com o trabalho. O mais importante é ser competitivo. Falo com o nosso presidente uma ou duas vezes por semana e todos os dias com o nosso diretor desportivo, e eles sabem que eu acredito que os jogadores devem ser competitivos. É por isso que sou da opinião de que precisamos de criar um plantel assim - competitivo. Quero o melhor, quero dois bons jogadores para cada posição."

Concorrência: "Por vezes estou a brincar com os jogadores e digo 'Tens de ir dormir e sonhar com o teu parceiro', tens que estar pronto para competir pelo teu lugar. Se criar isto no plantel, esta dinâmica, eu, como treinador, ficarei mais feliz porque terei soluções no coletivo. É bom para eles (jogadores) porque, à medida que estão a competir, estão a melhorar, e também para os adeptos, porque se tivermos uma equipa forte e competitiva, com certeza podemos ganhar mais jogos e eles ficarão mais felizes".

Transmitir a sua filosofia aos jogadores: "Agora é o melhor momento para o fazer. Durante as primeiras três semanas, não tínhamos aqui todos os jogadores, mas agora, com o plantel todo presente, podemos fazer isso. Antes do treino temos uma pequena reunião, na qual podemos ver vídeos e eu explico as minhas ideias para trabalhar esta ou aquela situação. Assim eles podem ver, temos a oportunidade de discutir e, no final, vamos praticar."

As experiências anteriores: "Este é o processo. Esta é a nossa vida. Cada experiência que se tem, no nosso país ou fora dele, de conhecer pessoas, de trabalhar com pessoas diferentes também. Isto tem a ver com tentar coisas diferentes, ter experiências novas. Quando tinha 35 anos mudei toda a minha vida - trabalhei no Benfica, depois mudei-me para o Dubai... desde então, tenho tido muita experiência. Penso que foi o passo que dei, ou a direção que tomei, para mudar toda a minha vida. Estou muito orgulhoso dessa decisão, de correr alguns riscos, de sair da minha zona de conforto e, depois disso, as pessoas deram-me oportunidades para trabalhar e aprender com elas, e tantas mais coisas."

Sobre ser autêntico nos treinos: "Não sei se é importante, penso que sou eu. Se me quiserem conhecer, estou lá no campo de treino. O que eu faço no treino, sou eu. Vem de mim, é natural, e é por isso que os jogadores se sentem confortáveis. Quando se vê que eles começam a pensar e a jogar com as suas próprias ideias, dá-me grande prazer."