Perícia brasileira indica que Rafael Ramos não discriminou racialmente Edenilson

Rafael Ramos e Edenilson desentenderam-se por alegado insulto racista

Entidade que averiguou, através da televisão, a discussão entre ambos indica ser "evidente que a palavra "macaco" não consta na fala questionada", por "não ter havido junção labial"

Uma análise do Centro de Perícias de Curitiba, pedida pela polícia de Porto Alegre, às imagens televisivas do desentendimento entre Rafael Ramos (Corinthians) e Edenilson (Internacional), por suposto ato racista do primeiro, concluiu que o lateral não pronunciou a palavra "macaco", conforme acusado, mas sim o termo "car****".

Segundo o documento do Centro de Perícias de Curitiba, a que a ESPN Brasil teve acesso, o diálogo entre os dois jogadores, ocorrido há uma semana foi o seguinte: "Eiii... Você está louco?", questionou Rafael Ramos. "Maluco!", respondeu Edenilson. "Pois, cara***!", retorquiu Rafael Ramos, espoletando uma discussão entre ambos.

O Centro de Perícias de Curitiba justifica a "absolvição" de Rafael Ramos, que garantira não ter sido racista para com Edenilson, ao referir que "a sílaba 'ma', que principia a palavra 'macaco', só pode ser pronunciada com junção labial", algo que, de acordo com a perícia, "não foi feito" por Rafael Ramos, lateral contratado ao Santa Clara.

"Diante das características intrínsecas descritas e demonstradas no decorrer deste parecer, é evidente que a palavra "macaco" não consta na fala questionada, ficando comprovado que em nenhum momento houve a junção labial no início da pronúncia", concluiu a perícia solicitada, "para maior clareza", pela polícia de Porto Alegre.

Há uma semana, na sequência de uma acusação feita por Edenilson, por alegado insulto racista, assegurado até publicamente, Rafael Ramos foi detido e, após algumas horas, saiu em liberdade após a direção do Corinthians pagar uma fiança.

O lateral português, acusado de ter chamado "macaco" ao médio brasileiro do Internacional Porto Alegre, vai responder, de acordo com Carlos Butarelli, delegado da polícia federal de Porto Alegre, por um "crime de injúria racial", agora em liberdade.

O incidente entre ambos forçou inclusive à interrupção do encontro, realizado a 14 de maio, entre Corinthians e Internacional durante cerca de cinco minutos. Após o apito final, Rafael Ramos frisou que se tratou de um "mal entendido" e Edenilson reiterou que "não ter entendido errado" o alegado insulto racista proferido no relvado.