"Na minha opinião, o que faz a diferença é aquilo que está entre as duas orelhas"

Abel Ferreira, treinador do Palmeiras

 foto AFP

Treinador do Palmeiras após a derrota no dérbi com o Corinthians (2-1), que deixou a equipa a oito pontos do líder Atlético Mineiro.

Dérbi decidido num lance individual: "Na minha opinião, assumimos o jogo, fomos o protagonista. Os números valem o que valem, mas o que conta é o resultado. Rematámos 16 vezes, o adversário oito, mas futebol é eficácia, eficiência. O jogo foi decidido por um lance individual "

Análise: "A primeira parte foi muito equilibrada. Sofremos um golo num lançamento. Uma coisa que temos que ter num dérbi é agressividade nos duelos. Quando olhamos para o golo e a forma como abordámos o lance, é fácil identificar que as lutas pela bola são fundamentais para nós ganharmos. Não se pode sofrer um golo desta maneira. Mas mantivemos a serenidade, o Palmeiras impôs o seu jogo, chegámos ao empate com justiça, assumimos esse risco. E depois o Dudu poderia fazer o golo e iríamos para o intervalo a vencer. No segundo tempo, tivemos quatro chances para marcar antes de sofrermos o belo golo do adversário, mas o futebol é isso, ele penaliza quem não faz golos."

Jogo com o Atlético Mineiro, na segunda mão da Taça Libertadores, depois do 0-0 na primeiro partida: "Sabemos que temos uma equipa muito jovem, com experiência também. O clube decidiu seguir uma filosofia, que é muito clara para todos. Temos um desejo grande de aprender, a prova disso é o primeiro golo deles. Vamos ter que ver, vou mostrar-lhes, a um jogador em particular, neste nível a agressividade sem bola tem de ser de outra forma, e ganha-se com experiência. Aos 18, 19 anos, é um risco. São bons jogadores, de muita qualidade, o futuro do clube é este. Quando o clube assumiu esses riscos, sabia que ia perder em algumas coisas e ganhar noutras. Mas no próximo jogo estaremos prontos, confiantes, a trabalhar a parte mental. É um jogo que decide a final da [Taça] Libertadores. Vamos defender o título com unhas e dentes. Enfrentamos uma equipa cascuda, que fez um investimento muito grande, mas com as nossas armas e inteligência, vamos procurar entrar competitivos. O nosso objetivo é estar na final."

Abel não desiste do Brasileirão: "A regra das 24 horas não serve só para as vitórias, serve para derrotas também. O jogador brasileiro em capacidade física, talento, técnica, tem de sobra, mas a capacidade de lidar com as adversidades, os obstáculos, é um aspeto que tem a melhorar. O clube tem uma estrutura que trabalha nessa área e tem um treinador... As equipas têm estrutura, bons jogadores, bons treinadores, mas na minha opinião o que faz a diferença é aquilo que está entre as duas orelhas, o quanto é focado, concentrado, competitivo. Competir para ganhar é tudo. Umas vezes vamos errar, outras vamos acertar. Com os mais experientes ganhamos umas coisas, com os mais jovens, outras. Temos um plantel equilibrado, que já deu alegrias aos adeptos, mas sabemos que temos de começar tudo de novo depois de se ganhar algo. Para mim, essa competição está em aberto, é uma maratona. Quando cheguei no ano passado, o primeiro classificado tinha 15, 12 pontos de diferença, e foi perdendo. É preciso estar sempre alerta. Eu não atiro a toalha ao chão, vamos acreditar. Vou confidenciar o que o Cuca me disse no último jogo: "Que seja um bom jogo, e se estamos aqui é porque as equipas são boas." É isso que vai acontecer, vamos disputar uma passagem à final e vamos fazer tudo para ser o Palmeiras."