Abel, o "comer picanha sem sal" e uma certeza: "Prefiro estar lá do que ver no sofá"

Abel, o "comer picanha sem sal" e uma certeza: "Prefiro estar lá do que ver no sofá"

Treinador do Palmeiras na conferência de Imprensa do sorteio para a final da Taça do Brasil, onde a formação orientada pelo português recebe o Grémio na primeira mão e decide em casa, na segunda mão.

Dimensão da Taça do Brasil: "É enorme. Vais sentindo pelo que lês. Pela história da competição, consegues ver a dimensão."

[antes do sorteio] Preferia a segunda mão em casa ou fora? "Se tivesse os adeptos, aí sim gostaria de decidir em casa. Sem, é igual. A claque faz uma diferença enorme, sem ela é igual. Tivemos aqui uma sensação antes da Libertadores, mas já disse qual a minha sensação de assistir aos jogos sem público. É comer picanha sem sal. Os adeptos trazem emoção ao jogo, é para eles também que jogamos. Mas tendo em conta o contexto é impossível termos público."

[depois do sorteio - o Palmeiras vai jogar a primeira mão fora e a segunda em casa] Muda alguma coisa, tecnicamente, decidir em casa? "A minha resposta não alterou depois do sorteio. O público é um acréscimo de energia, mas como eu disse, para mim é igual. Vamos ter que ir lá, estamos habituados a isso, será seguramente um grande desafio e um espetáculo para quem vai decidir. Depende muito do primeiro jogo. Nós viemos com vantagem da Argentina, mas vocês viram o quão difícil foi. Cada jogo tem sua história, particularidades diferentes. Já há um conhecimento mútuo, o Renato [Gaúcho] sabe como o Palmeiras joga, o Palmeiras sabe como eles jogam. Que seja um grande espetáculo, que vença o melhor, espero que seja o Palmeiras."

Ser treinador no Brasil é difícil: "Vínhamos no carro e disse: "ser treinador no Brasil é difícil". As pessoas não dão tempo. O Renato tem um trabalho extraordinário no Grémio e não é por acaso. Quatro, cinco anos com Taça, Libertadores, Recopa, é fruto da continuidade, acreditar no que faz, mas saber que o caminho está a ser bem feito. Parabéns pelo trabalho que tem vindo a ser feito no Grémio.

Lidar animicamente com os jogadores: "Ontem tivemos folga, por exemplo. É importante a parte física, tática, mas a mental também. Com esta intensidade de jogos praticamente não folgámos, e sabemos o quão importante é espairecer um pouco a cabeça. É verdade que temos um plantel bem "justo", e a minha função como treinador é procurar gerir a energia, mas estar na máxima força em cada jogo. Temos que gerir a energia para estar no máximo nas partidas. Não aceito muito isso do "treinador mudou a equipa". Quem está aqui é porque é bom. Eles sentem o clube há mais tempo. Agora é verdade, aqui no Brasil são seis, sete equipas que disputam o título. Nunca treinei num campeonato com essa intensidade competitiva. Para vocês terem uma ideia, fiz mais jogos no tempo em que estou aqui do que em seis meses em Portugal ou na Europa."

Palmeiras em três competições: "A sorte é que jogamos um jogo de cada vez, se fossem os três juntos seria difícil. Gerir energia para estar na máxima força a cada jogo. É isso que temos feito, essas informações que vamos tirando, viagens longas, relvados diferentes que têm impactos físicos. É verdade que estamos nas três competições, ainda bem. É duro, exige uma capacidade de superação enorme, mas prefiro estar lá do que ver no sofá. É para isso que trabalhamos, é para isso que somos treinadores e jogadores. Mas como disse o Renato, todas as equipas querem o mesmo, mas só uma ganha. É impossível ganhar sempre no futebol. O importante é sabermos o que temos que fazer."