Abel Ferreira chora ao tornar-se cidadão de São Paulo: "Nem sempre sou bom pai, marido ou treinador"

Abel Ferreira chora ao tornar-se cidadão de São Paulo: "Nem sempre sou bom pai, marido ou treinador"
Alexandre Dionísio

O técnico do Palmeiras recebeu o título de cidadão paulistano na sexta-feira, emocionando-se na altura de discursar na Câmara Municipal.

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, recebeu na sexta-feira o título de cidadão paulistano, numa cerimónia realizada na Câmara Municipal de São Paulo. Visivelmente emocionado, o treinador português garantiu que se sente um membro da cidade "desde o primeiro dia".

"Sempre me respeitaram de forma cordial e simpática. Para mim, o futebol é muito mais do que nosso clube, é algo que cada um de nós deve gostar, respeitando os adversários. Eu, como ser humano que sou, e agora cidadão paulistano, também tenho medos, receios, fraquezas. Nem sempre sou um bom pai, marido ou treinador, mas procuro aprender com os meus erros e ser melhor", começa por dizer, em declarações recolhidas pelo Globoesporte.

"A diferença de um vencedor para um perdedor não é a quantidade de títulos que tem, mas a quantidade de vezes que é capaz de se levantar quando cai. Foi assim que aprendi a caminhar: cair, levantar, começar a correr e seguir em frente", prosseguiu.

Falando numa "grande honra", Abel Ferreira prosseguiu nos elogios ao povo brasileiro, assumindo que não se sente apenas um "treinador ou um palmeirense", mas um verdadeiro "cidadão paulistano".

"Relembro uma frase que está no brasão de uma das maiores cidades do mundo, como é São Paulo, que diz: 'Não sou conduzido, conduzo'. Eu cheguei e disse que todos somos um. O Brasil é uma grande potência, não só pelo tamanho do país, mas pelo tamanho da criatividade das pessoas... Sempre disse que aqui as pessoas sabem receber. Espero aprender com meus erros e estar cada vez mais à altura de representar uma das maiores cidades do mundo", referiu.

Antes do final da cerimónia, vários adeptos do Palmeiras transformaram o Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo numa espécie de estádio, entoando cânticos. A eles, Abel Ferreira discursou uma última vez, usando-se como exemplo para explicar que "a maior ferramenta que o ser humano pode ter é o acesso a educação e formação".

"Futebol é a minha profissão, a minha paixão, mas sei que nem sempre sou o melhor exemplo. É verdade que fora [do futebol] sou tímido. Se me perguntassem há dez anos se era capaz de estar em frente a uma plateia e dizer uma palavra que fosse, dizia que não, que era impossível. Através da leitura e da educação, fui crescendo e já sou capaz de estar numa plateia e dizer o que vai no meu coração", concluiu.