Abel fala em cabelos brancos e deixa elogios a Scolari, Gaúcho e Tite: "Até aí..."

Abel fala em cabelos brancos e deixa elogios a Scolari, Gaúcho e Tite: "Até aí..."

Treinador do Palmeiras na conferência de Imprensa do sorteio para a final da Taça do Brasil, onde a formação orientada pelo português recebe o Grémio de Renato Gaúcho na primeira mão e decide em casa, na segunda.

O Grémio tem o melhor futebol do Brasil? "Eu não comento declarações de outros treinadores. Posso dizer que ele é mais velho do que eu, tem mais cabelos brancos, já ganhou mais do que eu, já perdeu mais do que eu, é um grande treinador, até tirei foto quando tive oportunidade. Conhece o futebol brasileiro melhor do que eu, é um brasileiro de gema. Olhando para o Palmeiras, somos extremamente competitivos, queremos ganhar, lutar para chegar na máxima força. O que mais me interessa enquanto treinador é passar emoção para quem assiste, como no último jogo. Que seja uma grande final, que a melhor equipa vença."

Confronto entre a escola de treinadores gaúcha e portuguesa: "A qualidade dos treinadores não tem local, nacionalidade, raça. Tem estudo, competência, aprendizagem. Hoje estão dois grandes treinadores brasileiros aqui, o Renato e o Tite. Tive o prazer de estar com o Scolari também, treinadores da nata do futebol brasileiro. Disse ao Tite que vi a série que fizeram dele. O conhecimento está ao alcance de todos, quem quiser esforçar-se, aprender, está aí. É preciso esforço. O meu cabelo vai ficar branco, mas que seja devagarinho. É preciso passar por esses momentos de turbulência. São dois grandes treinadores brasileiros. Muitas vezes, não sei como é aqui, mas na Europa e no nosso país há uma tendência enorme de valorizar só o que é de fora. Nós sabemos como é a vida: a bola entra, és o maior, não entra, és o pior. É fazer aquilo em que acreditamos."

Como vai ser o tipo de conversa com os jogadores após o jogo com o River Plate? "Eu não altero a minha forma de ser e de estar com o que acontece no jogo. Fazemos a análise de cada jogo, cada um tem uma história diferente, esta era uma eliminatória de dois jogos. Temos de estar prontos para competir em todos os momentos. Foi duro, muito duro, e a prova disso é que o Palmeiras não disputava a final há 21 anos. Foi preciso sofrer contra uma grande equipa, muito bem treinada, com muito tempo de trabalho. Foi um jogo extremamente difícil, tive a oportunidade de falar com o [Marcelo] Gallardo no final. O futebol é feito de emoções. O nosso momento foi feito na casa deles. Está ultrapassado. Foi muito bom, porque três jogadores nunca viram o Palmeiras numa final da Libertadores e agora estarão lá a jogar. Temos de aprender com cada jogo."

Elogios a Scolari: "Hoje em dia a seleção portuguesa tem um apoio muito grande por parte do público português muito por culpa do Scolari. Quando o Scolari disse para cada português colocar a bandeirinha lá fora, desde a final que perdemos com o Scolari, foi a partir deste momento que eu vi o povo português envolvido com a seleção. Até aí nunca tinha visto. Foi preciso vir um estrangeiro, o Scolari, para nos abrir os olhos e a mente de que mais do que nunca a seleção precisava do nosso apoio. A vontade que o jogador brasileiro tem de ir para a Seleção é algo inacreditável. Agora eu vejo isso nos portugueses, não existia antes e foi por causa do Scolari."

Mais fácil Grémio ou Santos? "São do mesmo nível, são duras. Já temos um jogo difícil amanhã, depois de uma eliminatória dura contra o River. Vamos procurar gerir a energia e estar com a força máxima. São duas montanhas altas, difíceis, vamos tentar escalar juntos, mas uma de cada vez. Vamos pensar numa coisa de cada vez, pensar no futuro gera ansiedade."