Yarmolenko voltou a jogar para não "enlouquecer": "Só queria bater com a cabeça na parede"

Yarmolenko voltou a jogar para não "enlouquecer": "Só queria bater com a cabeça na parede"
Redação

O ucraniano Yarmolenko relata os dias de agonia que tem vivido após a invasão da Rússia à Ucrânia. Entretanto, voltou a jogar pelo West Ham, porque precisava de uma "distração".

Andriy Yarmolenko, avançado do West Ham, admite que o futebol é uma distração e uma forma de não enlouquecer com o que se está a passar na Ucrânia. Depois da invasão da Rússia, a 24 de fevereiro, o treinador David Moyes falou com o jogador e o ucraniano esteve uns dias afastado da equipa, mas entretanto voltou ao ativo.

"O David Moyes disse-me que eu podia escolher treinar ou não e que eu tinha de fazer tudo para garantir a segurança da minha família. Mas tinha de ser profissional e depois voltei. Estava a ficar maluco e tinha de me distrair. Mas mesmo agora não sei os resultados das outras equipas. Só vou treinar e no fim pego no telemóvel para ligar para a Ucrânia. É assustador falar disto. Mas temos de nos ajudar uns aos outros", referiu em entrevista a um programa de Youtube ucraniano.

"Quando tudo começou, eu cheguei ao treino e nem conseguia falar. Tinha lágrimas a cair pelo rosto. Então pedi ao treinador e fui para casa", acrescentou.

A família de Yarmolenko está segura, mas viveu os primeiros dias de conflito em Kiev. "Mandei a minha família para Kiev por causa de uma consulta médica do meu filho. Conseguem imaginar como me senti na manhã seguinte? Só queria bater com a cabeça na parede. Que louco fui eu em mandar a família para Kiev enquanto fiquei em Londres?", desabafou.

"Os meus familiares estão todos vivos e bem. Os meus primos ajudam-me a manter contacto com os meus tios. Os que lá estão estão escondidos em abrigos subterrâneos", explicou o dianteiro dos hammers.