União Europeia não apoia a realização de um Mundial de dois em dois anos

União Europeia não apoia a realização de um Mundial de dois em dois anos
Redação

Oposição europeísta veio dar eco à contestação da UEFA, numa altura em que a FIFA se prepara para realizar um estudo ao impacto da medida e auscultar as federações membro.

Objeto de contestação por parte da UEFA, a realização de Mundiais com periodicidade bienal tem suscitado preocupação e incompreensão no seio da Comissão Europeia, que alerta para a defesa de um modelo equitativo para fãs, atletas e competições.

"Partilho plenamente as dúvidas das federações nacionais de futebol sobre a possibilidade de Mundiais bianuais. A Europa é o epicentro do futebol, temos o dever de preservar um modelo que respeite os adeptos, o bem-estar dos jogadores e a lógica do calendário desportivo, e não apenas os interesses comerciais", afirmou Margaritis Schinas, vice-presidente da CE para a promoção do modo de vida europeu.

A declaração do dirigente não passará em claro pelos legisladores europeus. Enquanto a FIFA avalia o impacto da alteração da periodicidade de realização dos Mundiais, a Comissão de Cultura europeia, votará, em setembro, um apelo às organizações desportivas - no caso a UEFA e a FIFA - a "respeitarem a frequência estabelecida de torneios internacionais, especialmente os Campeonatos Europeus e Mundiais".

A oposição da Comissão Europeia, assumida publicamente por Schinas, deu eco à contestação da UEFA, expressa (e reforçada) esta quarta-feira, em comunicado, no qual indica ter "sérias preocupações com o plano da FIFA", dito representante de "perigos reais" para a modalidade e para a reputação do Mundial.

O projeto de modificação da FIFA, que tem sido badalado favoravelmente pelo diretor de desenvolvimento e antigo treinador Arsène Wenger, reúne o apoio, além da Arábia Saudita, de federações estabelecidas em África e na Ásia, mas não consenso global.

Por exemplo, além da UEFA e das próprias instituições portuguesas (Federação, Liga, Sindicato de Jogadores e associações de treinadores e árbitros), a CONMEBOL assumiu-se contra a realização de Mundiais com um intervalo de tempo de dois anos.

Para poder tomar uma posição eventualmente definitiva, em 30 de setembro, o organismo presidido por Gianni Infantino vai consultar, oficialmente, "num debate aberto e construtivo" a opinião das federações membro sobre a contestada medida.