Exclusivo Troy Deeney, o capitão-pedreiro que zela pela saúde

Troy Deeney, o capitão-pedreiro que zela pela saúde

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Filipe Alexandre Dias

Bom de bebida e com 18 anos, Deeney matava o vício pelo futebol nos amadores do Chelmsley Town.

A vida de Troy Deeney não tem sido um passeio no parque, mas merece ser contada. Face à pandemia, o capitão do Watford tornou-se o "jogador-poster" da ala de céticos quanto ao regresso do futebol em Inglaterra. Ontem, após tomar parte da reunião por videoconferência entre jogadores e as entidades reguladores do futebol e governo britânicos quanto ao reinício das provas (ler informação na página 4), o avançado levantou a voz bem alto, exclamando: "De momento, nem quero falar de futebol. Só falo da saúde da minha família, que não quero ver colocada em risco. Se for esse o caso, eu não jogo. Vão-me fazer o quê? Tirar-me o dinheiro? Já fui um "teso" antes, por isso não me importo."

Filho de Chelmlsey Wood, na zona de Birmingham, Troy cresceu nas ruas. A mãe ainda conseguiu ter influência positiva sobre ele, mas o pai era dos mais infames traficantes de droga da região. As perspetivas não eram animadoras para Troy, cujos primeiros adversários foram a lei e a ordem. Já habilidoso de pés, o futuro médio não tinha só a bola para chutar e foi por se envolver em pontapés (e murros) a mais que aos 14 anos obteve o seu primeiro "título": foi expulso da escola. Resistindo como pôde à perdição num meio poluído, Troy dedicou-se a trabalhar nas obras. Era pedreiro, mas a sua ambição era ser bombeiro. "Era o meu sonho: trabalhava quatro dias e folgava outros quatro", recordaria mais tarde. Isto depois de ter chumbado nas captações do Aston Villa.