Trauma para a vida

Carlos Pereira Santos

O Maracanazo visto de ambos os lados: do lado brasileiro, Moacir Barbosa nunca mais foi perdoado; já os uruguaios ainda hoje festejam...

O Brasil estava preparado para vencer o Mundial de 1950 em casa, mas nunca imaginou que o iria perder e ainda hoje há quem não tenha recuperado desse verdadeiro trauma. Em termos de organização, o torneio foi um sucesso, apesar de ter havido muitas desistências (a Índia, por exemplo, abdicou por a FIFA não ter permitido que os seus futebolistas jogassem descalços. Entende-se...). Portugal e a França chegaram a ser convidados, mas não havia condições humanas nem materiais. A miséria que a II Guerra espalhou não foi superada facilmente por todos...

O Mundial realizou-se com 13 participantes. Duas novidades: pela primeira vez o troféu teve o nome de Jules Rimet; segundo, não houve propriamente uma final. Houve quatro grupos e os quatro primeiros jogaram uma poule final. Espanha, Suécia, Uruguai e Brasil jogaram entre eles, e a coincidência colocou no último encontro os países sul-americanos. Ao Brasil, pela conjugação de resultados, bastava-lhe empatar, mas perdeu por 2-1, com uma seleção onde se destacava Varela.

Não foi fácil engolir a derrota. Os dirigentes da confederação brasileira saíram em lágrimas do camarote; Jules Rimet não teve outro remédio senão descer sozinho a escadaria do Maracaná para entregar a taça. O guarda-redes do Brasil, Moacir Barbosa, em 1994, no Mundial dos Estados Unidos, quis ir visitar a seleção de Romário & Companhia... Foi impedido de entrar no hotel por os responsáveis canarinhos entenderem que daria azar. Moacir disse, em lágrimas, aos jornalistas: "No Brasil a pena máxima por homicídio é de 30 anos... Eu pago há 44 anos por um crime que não cometi"...

Para muitos brasileiros, Moacir foi o culpado da derrota. Há o outro lado da história: para os uruguaios, o dia 16 de Julho é o Maracanazo... E celebram-no!