"Robinho? A sentença deve ser cumprida. Se fosse em Itália já estaria preso"

"Robinho? A sentença deve ser cumprida. Se fosse em Itália já estaria preso"
Duarte Tornesi

Antigo avançado continua em liberdade no país natal e só poderá ser detido caso viaje para Itália ou outro país da União Europeia, pois a Constituição não contempla a extradição de cidadãos brasileiros

A Corte Suprema de Cassação de Roma, a mais alta instância judicial italiana, recusou o recurso apresentado por Robinho e confirmou a pena de nove anos de prisão emitida em 2017 ao antigo internacional brasileiro por violência sexual de grupo. A sentença é definitiva e a execução da pena é imediata, embora a detenção do ex-jogador esteja dependente de um acordo entre as autoridades brasileiras e italianas.

De acordo com a Imprensa internacional, a Justiça transalpina já terá avançado com um pedido de extradição de Robinho, mas esta não é líquida, pois a Constituição brasileira de 1988 proíbe a extradição de cidadãos brasileiros. Além disso, um tratado de cooperação assinado em 1989 entre Brasil e Itália não prevê que uma condenação imposta pela Justiça italiana seja aplicada em território brasileiro.

Face a este impasse, Robinho e Ricardo Falco, um dos seus amigos que participou na violação em grupo de uma mulher num bar de Milão, só correm o risco de serem detidos se viajarem para fora do Brasil, nomeadamente para Itália ou outro país da União Europeia. Em declarações aos jornalistas após o anúncio da sentença, Jaccopo Gnocchi, advogado da vítima, apelou à Justiça brasileira para retificar a pena confirmada ontem pela Corte Suprema de Cassação de Roma. "Mais de 15 juízes analisaram o caso em primeira, segunda e terceira instância e confirmaram o relato da minha cliente. Para nós, a sentença deve ser cumprida. Se fosse na Itália já estaria preso. A bola está agora com o Brasil, que é um grande país. Espero que saibam lidar com esta situação", afirmou.

O caso em questão remonta a 2013, quando Robinho era um dos destaques do Milan. Na madrugada do dia 22 de janeiro, o jogador e mais alguns amigos deslocaram-se a uma casa de diversão noturna de Milão e violaram em grupo uma mulher de origem albanesa de 23 anos. A vítima admitiu ter apenas "alguns flashes daquela noite", acrescentando que "não tinha condições de falar nem de ficar em pé" enquanto o grupo se aproveitava dela. Por sua vez, os advogados de Robinho alegaram que a relação foi consensual e elaboraram um dossiê da vida privada da vítima, cuja utilização foi negada pelas três juizas responsáveis pela análise do caso em segunda instância. Estas consideraram que o antigo jogador tinha tratado a vítima com "desprezo" e acusaram-no de ter tentado enganar a Justiça italiana com uma "versão dos fatos falsa e previamente combinada" com os restantes arguidos.

Dono de 100 internacionalizações pelo Brasil, onde se estreou em 2003 pela mão de Ricardo Gomes, Robinho jogou em oito clubes: Santos, Real Madrid, Manchester City, Milan, Guangzhou Evergrandes, Atlético Mineiro, Sivasspor e Basaksehir. Em outubro de 2020, chegou a ser anunciado pelo Santos, mas o seu contrato foi suspenso após uma onda de indignação da sociedade brasileira face ao crime cometido pelo avançado.