Perda de pontos para clubes em casos de racismo: a proposta do presidente da CBF

Perda de pontos para clubes em casos de racismo: a proposta do presidente da CBF
Redação

Posição do líder da CBF surge numa altura em que a CONMEBOL tenta incrementar o valor das multas para estes casos, em função do avolumar de incidentes discriminatórios

Ednaldo Rodrigues entende que multas são insuficientes para abolir o racismo em estádios. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai propor uma "punição desportiva" para clubes (retirada de pontos) para atos de discriminação de adeptos.

"Não concordo com apenas uma multa financeira ao clube que tiver um adepto racista. Não se combate a discriminação apenas aumentando multas. Tem de ser de forma mais dura. Quero que o clube do adepto identificado a cometer ato racista perca pelo menos um ponto no campeonato. Só assim vamos pacificar os estádios", afirmou Ednaldo Rodrigues, citado pelo jornal brasileiro "GloboEsporte".

A posição do líder da CBF surge numa altura em que a CONMEBOL, órgão que tutela o futebol sul-americano, tentará incrementar o valor das multas a aplicar nestes casos, em função do avolumar de incidentes racistas em jogos da Taça Libertadores, como por exemplo no River Plate-Fortaleza e no Universidad Católica-Flamengo.

Ednaldo Rodrigues defende que cada emblema deve ter um papel socialmente responsável e, caso não o desempenhe, deve merecer sanção. "O clube tem de punido por não ter conseguido educar o adepto que entra no seu estádio. Com a punição desportiva ao clube, conseguimos envolver o adepto nesta luta antitracista. O adepto seria um fiscal contra o preconceito", referiu o líder da CBF, o primeiro dirigente negro a presidir ao organismo em mais de 100 anos de história.

A proposta de Ednaldo Rodrigues será apresentada, primeiro, à CONMEBOL e, depois, à CBF, e visa a aplicação em competições sul-americanas e brasileiras, como a Copa Sudamericana, Taça dos Libertadores e o Brasileirão e a Taça do Brasil.

Intentado a abolir o racismo do futebol, ou, pelo menos, a fomentar a consciencialização para o problema, o presidente da CBF organizou um seminário acerca do preconceito na modalidade, que contará com representantes da FIFA, CONMEBOL, CBF, Supremo Tribunal de Justiça e Ministério Público locais.