Novo regulador fiscalizador, audição a adeptos e não só: o plano para mudar o futebol inglês

Novo regulador fiscalizador, audição a adeptos e não só: o plano para mudar o futebol inglês
Redação/H.L.

Governo britânico sugere maior e imparcial controlo financeiro, superior escrutinação a potenciais responsáveis, valorização do pensamento de fãs e mais apoio de emblemas do topo

A (pré-)falência do Bury e do Derby County, a instabilidade do Chelsea pelas sanções a Roman Abramovich, a presença crescente de fundos (a exemplo da aquisição do Newcaslte), e ameaça da Superliga fizeram soar alarmes do governo do Reino Unido quanto ao futuro da gestão e organização estrutural do futebol inglês.

A trabalhar nele há alguns meses, o executivo de Boris Johnson apresentou à Câmara dos Comuns um documento, elaborado por uma comissão liderada pela antiga ministra Tracey Crouch, que provocará mudanças da base ao topo da modalidade.

As dez medidas, algumas originadas por preocupações expressas por adeptos, preveem, fundamentalmente, um maior e imparcial controlo financeiro, uma superior escrutinação a potenciais dirigentes e proprietários, valorização do pensamento dos adeptos sobre a gestão dos clubes e apoio extra dos emblemas mais ricos.

O documento refere que, para "garantir a sustentabilidade do futebol a longo prazo no Reino Unido, o governo deve criar um novo regulador independente, um regulador independente deve fiscalizar a regulação financeira nos clubes; os adeptos devem ser consultados pelos seus clubes na tomada de decisões importantes através de uma direção-sombra; deve haver proteção especial para elementos-chave do património; a Premier League deve garantir apoio à pirâmide e fazer contribuições adicionais e proporcionais para apoiar ainda mais clubes de divisões inferiores".

"O futebol une amigos, famílias e comunidades, é por isso que estamos a levar adiante os planos liderados por adeptos para garantir o futuro do nosso jogo", justificou Boris Johnson, líder do governo do Reino Unido, à Imprensa britânica, revelando que "serão investidos 270 milhões de euros para subir o nível dos campos do futebol juvenil".

O Governo adiantou que a supervisão financeira será desenvolvida, em primeira instância, pelas entidades desportivas, funcionando o regulador independente como um fiscalizador que garanta cumprimento de boas práticas. O projeto governamental deverá ser lei em 2023, mas o regulador só estará pronto após um ano.

Plano recebeu votos (mais ou menos) favoráveis

A Premier League, em reação ao projetado pelo governo inglês, disse estar "comprometida em trabalhar durante a fase de consulta", elogiou a "clareza do governo" e frisou "concordar que os adeptos são de vital importância". Porém, a entidade considerou "não ser necessário haver um regulador protegido pela lei".

A English Football League, por sua vez, e em opinião distinta à da Premier League, referiu que "apoia a criação de regulador independente", denotando que "não houve progresso vísivel" na distribuição de dinheiro, e salientou que "saúda o governo por estar aberto a conceder o poder de implementar a redestribuição".