Jorge Jesus dá carta branca: "A minha experiência em altitude é zero"

Jorge Jesus dá carta branca: "A minha experiência em altitude é zero"
Pedro Ribeiro

Jorge Jesus admitiu não ter conhecimento suficiente para preparar o duelo de hoje em Quito, a 2850 metros, e deu autonomia total ao departamento médico do Fla.

Perfeccionista como é, Jorge Jesus reconheceu não ter conhecimentos sobre jogos disputados em altitude e deu carta branca ao departamento médico do Flamengo para preparar a visita ao Independiente del Valle, em Quito, na primeira mão da Recopa Sul-Americana (equivalente à Supertaça da UEFA).

A partida na capital do Equador - cujo pontapé de saída vai ser dado à 1h30 e de quinta-feira em Portugal - será jogada 2850 metros acima do nível do mar. Na época passada, o Fla jogou aqui contra a LDU e perdeu 2-1, na fase de grupos da Taça Libertadores, ainda antes da chegada do treinador luso.

"Sempre ouvi falar da complicação de jogar com estas equipas com altitude em relação ao nível do mar. Não tenho experiência nenhuma disso. Assim, vou fazer aquilo que a equipa médica e fisiológica do Flamengo tem de experiência. Já estamos a trabalhar em cima disso. A minha experiência é zero. Sei que os jogadores se cansam mais e têm dificuldade em respirar. Nunca estive na altitude como treinador, nem como jogador. Por isso, vou fazer o que a equipe médica do Flamengo transmitir", explicou Jorge Jesus.

Márcio Tannure, responsável médico dos campeões brasileiros e sul-americanos, contou que "Jorge Jesus ouviu sugestões e deu autonomia para seguir o protocolo do clube", explicando em que consiste: "Os jogadores fazem avaliações da capacidade respiratória com aparelhos específicos. Cada um tem um índice e começamos um trabalho de musculatura inspiratória. Trabalhamos para aumentar a capacidade de oxigénio sempre que respiram. Há ainda acompanhamento médico e nutricional, sendo usados medicamentos e suplementos que aumentam a capacidade de ligação do oxigénio na hemoglobina."

Apesar deste procedimento, Tannure salienta que isso só minimiza os efeitos do ar rarefeito e que o ideal seria o Fla ter tido mais tempo para treinar em Quito.