Premium ZOOM - Há judeus em fuga para Espanha só para ver o Boca-River

ZOOM - Há judeus em fuga para Espanha só para ver o Boca-River
António Barroso

Não é mais do que um mini êxodo judaico para fintar o Shabat. Em Espanha, o jogo começa depois do sol se pôr, que é quando uns 35 adeptos judeus argentinos do Boca se sentirão à vontade para verem televisão e não ferirem as suas crenças. A fé move oceanos da frente da televisão. E em Israel, há muitos adeptos do Boca satisfeitos com o fuso horário.

Abaixo do Equador, só o Carnaval rivaliza com a Taça Libertadores. E, por estes dias, ganha o segundo, com um cheirinho a tango. A loucura vive-se na Argentina e Buenos Aires está no topo do mediatismo do futebol. Boca Juniores e River Plate defrontam-se este sábado, em luta pelo título continental sul-americano. Já não bastava ser um "Superclásico" (o dérbi da capital), é visto como o clássico de todos os tempos.

Na net, são aos milhões as entradas sobre a grande final. Não há um media dos mais poderosos que não fale do assunto. Afinal, há latino-americanos espalhados pelos cantinhos todos do planeta. E há mil e um episódios a serem contados, que é assim que se geram as lendas.

Um dos mais interessantes nos jornais de hoje está plasmado no La Nacion, periódico do país das Pampas, que conta a história de 35 judeus argentinos que resolveram fintar o Shabat (a maior parte do sábado em que o seu credo os impede de muita, mesmo muita coisa) e poderem, pelo menos, assistir ao jogo pela televisão (uma das proibições). É que esta primeira mão, a disputar na Bombonera, começa às 17h00, um horário judaicamente proibitivo.

Não foi simples, implica atravessarem o oceano e uma mão cheia de fuso horários. Aqueles 35 - e consta que não são os únicos -, quase todos ferrenhos do Boca, rumaram a Espanha (aonde já devem ter chegado, à hora desta publicação), onde vão poder assistir, a partir das 21h00 locais (já o sol se pôs no território espanhol), ao encontro pela televisão.

Apesar dos pedidos, muitos deles com força institucional, para mudar os jogos para domingo, por causa da imensa comunidade judaica na argentina, a CONMEBOL (confederação sul-americana de futebol) não cedeu. É caso para dizer que a força da fé move oceanos da frente de um televisor.

Mas esta conexão judaica não termina aqui. Em Telavive, a capital de Israel, a grande final é muito aguardada. Há milhares de adeptos do Boca que ali vivem e que estão bem satisfeitos com as diferenças horárias, razão pela qual os locais públicos, onde se costumam juntar, publicitam o jogo, como no cartaz da foto que abre este artigo. Quando a bola começar a pinchar na Bombonera, a 12 mil quilómetros de distância, já é noite cerrada no Médio Oriente.

Vencedor recebe 5,25 milhões de euros

A importância do #Superclásico é também assombrosa em termos económicos, pelo menos para os participantes. O vencedor embolsará seis milhões de dólares (cerca de 5,25 milhões de euros), enquanto o vencido ganha "apenas" três (2,6 ME), segundo as contas da televisão argentina TyC Sports.

Cartão vermelho ao adepto que pintou o cão.

A maior polémica matinal da véspera do jogo da primeira mão da final da Taça Libertadores foi... o cão pintado com as cores do Boca Juniores, por um adepto ferrenho.

As redes sociais ficaram imediatamente pejadas de indignações por maus tratos ao animal e são inúmeros os pedidos para que o seu dono seja identificado pelas autoridades.

Cartão amarelo a Cristian Pavón

Menos indignados, mas muito pouco satisfeitos estão alguns adeptos do Boca, que não perdoam o avançado Cristian Pavón por ter feito uma tatuagem uns dois ou três dias antes da grande final.

A indignação está patente, como é óbvio, nas redes sociais, nomeadamente na fotografia que o próprio publicou no seu Instagram, como pode ver em baixo. "Não sabes que isso pode infeccionar?" é, digamos, um dos mais suaves comentários.