Sarri na Juventus motiva um ponto final no "Sarrismo"

Sarri na Juventus motiva um ponto final no "Sarrismo"

Fiéis da "religião" criada quando o treinador orientava o Nápoles não perdoaram a sua ida para Turim

Autêntico ídolo para as gentes de Nápoles, cidade onde nasceu e onde fez juras de amor ao clube local, Maurizio Sarri provocou um enorme "terramoto" no sul de Itália ao mudar-se para a Juventus, o visceral rival dos napolitanos. A oficialização do negócio motivou o fim do "Sarrismo", uma "religião" criada para idolatrar um treinador que, enquanto treinador do Nápoles, se tinha tornado um herói na eterna luta entre o sul empobrecido e rural contra o norte industrializado e desenvolvido.

"O treinador prevaleceu sobre o homem e matou o comandante. Se Sarri traiu alguém, foi a si mesmo. Fica a dúvida se ele era mesmo uma personagem antissistema porque o sistema não o aceitava, ou se ele era porque ele não aceitava o sistema. Pois quando teve hipótese, não apenas aceitou, como casou-se com o sistema. Há anos que assistimos à ditadura de uma equipa que não se contenta em ganhar e deixar migalhas à concorrência, mas que também se deleita a enterrar os mitos. A Juventus mostrou que pode comprar quase tudo o que tem um preço neste mundo, mas a poesia não. A Juventus pode comprar Sarri, mas não pode comprar o Sarrismo. Até poderá ser um casamento bem sucedido, mas nem a Juventus nem Sarri viverão alguma coisa comparável ao triénio do Napoli sarrista. Não é questão de resultados, é muito mais: questão de emoções", pode ler-se na página de Facebook do "Sarrismo".