Copa América arranca com Messi "pressionado como nunca"

Copa América arranca com Messi "pressionado como nunca"
Vladimir Bianchini (ESPN Brasil)

Vladimir Bianchini, jornalista da ESPN Brasil, perspetivou para o JOGO a 46ª edição da Copa América, que se inicia hoje às 21h30 (1h30 em Portugal) com a realização do Brasil-Bolívia

Torneio mais antigo de seleções do mundo, a Copa América volta a ser jogada no Brasil 30 anos depois. Para os donos da casa, é uma chance de afastar uma crise e provar que a equipa não é refém do seu principal astro: Neymar.

Lesionado, ele não jogará a competição, mas mesmo assim domina os noticiários pelos seus problemas extracampo e ajudou a desgastar muito a imagem do técnico Tite, que antes da Copa do Mundo era quase intocável. A impressão que o treinador passa agora é a de que um fracasso no torneio pode custar o seu cargo.

Por isso, ele apostou em veteranos como Thiago Silva, Daniel Alves, Fernandinho e Miranda, que terão chances mínimas de jogarem no Mundial do Catar. Outra grande preocupação é o meio-campo, já que Casemiro, Fernandinho e - principalmente - Phillipe Coutinho não vivem os melhores momentos das carreiras. Como está no grupo mais fraco do torneio, o Brasil pode ter um pouco mais de tempo para ajeitar a equipa. A grande surpresa pode ser o atacante David Neres, que se destacou pelo Ajax na Champions League.

Para a Argentina, esta é a chance da consagração de Messi entre o seu povo. Mesmo sendo melhor jogador do mundo por cinco vezes, ele é muito questionado no seu país. Após ser vice duas vezes seguidas da Copa América e perder a final da Copa do Mundo de 2014, o astro do Barça terá uma das suas últimas chances de erguer uma taça pela seleção. Nenhum outro jogador entrará tão pressionado como La Pulga. Resta saber se ele conseguirá repetir o mesmo nível de protagonismo que demonstra nos relvados da Europa.

Para a envelhecida seleção uruguaia, maior campeã do torneio, a Copa América será praticamente a despedida de uma geração que recolocou o país no mapa do futebol mundial. Nomes como Muslera, Godín, Suárez, e Cavani representam uma seleção menos talentosa, mas muito organizada. De Arrascaeta e Betancur podem ser os símbolos da renovação necessária para o futuro.

Entre as seleções menos cotadas para chegarem ao título, o Paraguai é um dos que apresenta uma renovação interessante de talentos. O Chile, atual campeão, não vive nem de longe seus melhores dias como equipa, mas não deve ser descartado. Outra equipa que fez um bom trabalho e subiu de patamar foi a Venezuela, que foi vice-campeã do Mundial Sub-20 de 2017. Não irá brigar por títulos, mas pode chegar às fases finais.

É difícil apontar um único candidato para a Copa América pelo momento vivido pelas seleções. Nenhuma das favoritas (Argentina, Brasil e Uruguai) hoje se destaca muito das demais. O Brasil leva uma ligeira vantagem por jogar em casa, ter uma força defensiva maior e o entrosamento devido a continuidade do trabalho de Tite.