Catar promete o melhor Mundial da história

Catar promete o melhor Mundial da história

Mais de mil operários já morreram; outros são vítimas de trabalho escravo; a FIFA admite a corrupção na atribuição do torneio, mas, o emir continua eufórico

O emir do Catar, o xeique Tamim bin Hamad al-Thani, garantiu que o emirado vai organizar em 2022 "um dos melhores mundiais de futebol da história".

"As pessoas têm de entender que apresentámos o melhor dossiê de candidatura ao Mundial'2022 e que vamos organizar um dos melhores mundiais de futebol da história", garantiu quinta-feira o xeique à estação televisiva CNN.

Hamad al-Thani aproveitou para lamentar as permanentes polémicas sobre a atribuição do Mundial'2022 ao Catar, sobretudo sobre a capacidade do emirado em organizar uma prova desta dimensão e das condições climatéricas adversas (temperaturas que podem chegar aos 50 graus centígrados).

"Não querem aceitar e compreender que um país pequeno, árabe e muçulmano pode organizar um evento como este", considerou o xeique na entrevista à estação norte-americana.

Sobre a possibilidade de o calendário do Mundial'2022 ser alterado para o inverno, como forma de escapar às altas temperaturas, Hamad al-Thani garantiu que aceita qualquer que seja a decisão da FIFA, mas lembrou que os estádios terão condições para anular as condições atmosféricas adversas.

"A nossa candidatura aplicava-se a um Mundial no verão, mas compete à FIFA decidir qual será o melhor período do ano. O Catar recorre há dez anos a um sistema funcional de ar condicionado que é usado com sucesso nos estádios", frisou.

O xeique do Qatar admitiu problemas nas condições de trabalho oferecidas aos operários que trabalham na construção dos estádios, denunciadas por organizações de defesa dos direitos humanos, e prometeu alterações à legislação laboral.

"Sim, é verdade, existem problemas, mas estamos a resolvê-los e vamos criar nova legislação, porque não é aceitável este tipo de situações, reconheceu Hamad al-Thani.

Mais de mil pessoas já morreram na construção das infraestruturas para o Mundial'2022, de acordo com as denúncias feitas pela imprensa internacional, sindicatos e organizações de defesa dos direitos humano. O diário britânico The Guardian foi dos primeiros a relatar o drama dos operários do Nepal, da Índia e do Bangladesh que são autênticos escravos: muitos, morrem de exaustão, por excesso de horas de trabalho em condições miseráveis, adjetivo que se aplica, também, aos locais onde são acomodados. Vivem em espaços sobrelotados, sem condições de higiene. É-lhes negado o direito de voltar a casa, porque ficam sem os passaportes, e há imensos casos de salários que não são pagos.