A Lázio de Sérgio Conceição não deve quase nada ao Barça de Robson

A Lázio de Sérgio Conceição não deve quase nada ao Barça de Robson
João Araújo

Duas equipas marcantes nas respetivas épocas, orientadas por grandes nomes dos bancos - Robson e Eriksson - e que deixaram um legado que perdura até aos dias de hoje

Lembra-se da célebre fotografia do plantel do Barcelona de 1996/97, treinado por Bobby Robson, usada para ilustrar o inusitado número de treinadores de topo dali saídos? Lopetegui, Guardiola, Luis Enrique, Laurent Blanc, Abelardo, Ferrer, Sergi, Celades, Prosinecki, Pizzi ou Amor apareciam abraçados, tal como José Mourinho (então adjunto), festejando a vitória na Taça das Taças e a que juntaram a Supertaça Europeia e a espanhola. O êxito dessa época em muito se deveu ao brasileiro Ronaldo e aos portugueses Figo, Couto e Baía, que também interessam - e muito - para esta história. Desse plantel de 27 jogadores - como é o caso dos nomes citados -, uma imensa maioria enveredou pelos bancos e vários outros pelo dirigismo desportivo, contando-se inúmeros troféus nacionais e internacionais à conta deles. Basta referir nomes como Guardiola, Luis Enrique e Mourinho para se perceber a influência de Robson e daquela equipa no futebol europeu e mundial até aos dias de hoje.

Pois o eterno rival da equipa que o FC Porto defronta esta terça-feira em Roma, na primeira mão dos oitavos de final da Champions, também teve um momento assim na sua história, deixando fotos comparáveis à referida acima. A equipa que Sven-Goran Eriksson levou à conquista do "Scudetto", da Taça e da Supertaça italianas, da Taça das Taças e da Supertaça Europeia, em 1998/1999 e 1999/2000, também deu ao mundo da bola quase duas dezenas de treinadores e dirigentes, uns de topo e outros com um percurso mais discreto.

O trajeto de Sérgio Conceição nos bancos é familiar aos portugueses, tal como os de outras estrelas dessa Lázio, casos de Roberto Mancini, que recentemente defrontou (e perdeu) a Seleção Nacional pela congénere italiana, depois de títulos transalpinos, ingleses e turcos no Inter, Manchester City e Galatsaray. Também treinou a Lázio e ganhou uma Taça do seu país (2003/04). Na quarta época à frente dos "laziale", Simone Inzaghi também dividiu o balneário com Conceição, tal como o amigo Almeyda, que recentemente reencontrou à frente do Chivas, num torneio de pré-época no México em que os dragões participaram. Almeyda já foi campeão da CONCACAF, ou seja, ganhou a Champions da América Central, além de vários títulos mexicanos e dois na segunda liga argentina, com Banfield e River Plate. Mihajlovic já orientou seis clubes na Série A italiana e a seleção da Sérvia, mas a grande figura dos bancos saída daquela Lázio é, sem dúvida, Diego Simeone, que fez do Atlético de Madrid uma terceira força a ter em conta no país vizinho: foi campeão espanhol, ganhou duas Ligas Europa, duas Supertaças Europeias, a Taça do Rei e a Supertaça Espanhola, depois de ter triunfado na Argentina, por River e Estudiantes.

Vários nomes estão a protagonizar percursos mais modestos como técnicos. Ravanelli treina o Arsenal de Kiev, 12º na Ucrânia; Sensini esteve em vários clubes argentinos, destacando-se Newell's e Estudiantes, clube onde Verón fez uma pausa na carreira em 2012/13 para passar a diretor de futebol, voltando depois a calçar as chuteiras. Stankovic e Lombardo foram ou são adjuntos (longa a carreira do segundo, tal como as correrias pela ala direita!) e Nesta está na Série B, no Perugia. Pancaro, Negro, Marcolin e Mondini (ex-guarda-redes) tiveram passagens por clubes menores, mas ainda há três outros casos que vale a pena destacar. Nedved foi treinador adjunto, diretor desportivo e conselheiro da administração da Juventus, entre 2009 e 2015; Marcelo Salas trocou os muitos golos que fazia pela presidência do Temuco, um clube modesto do Chile, que foi 15º na última liga. E por último, mas não menos importante, Fernando Couto, que esteve no Braga de 2010 a 2014 como diretor desportivo e depois treinador adjunto. Outro elo em comum com aquele Barcelona de Robson!