Hakan Sukur fugiu da Turquia e agora é motorista da Uber nos Estados Unidos

Hakan Sukur fugiu da Turquia e agora é motorista da Uber nos Estados Unidos

O antigo internacional turco viu-se perseguido no seu próprio país depois de ter deixado o governo presidido por Recep Erogan. Emigrou em 2015 e torce para que volte a democracia à Turquia

Antigo internacional pela seleção da Turquia, Hakan Sukur tem agora uma vida muito diferente, e bem longe dos relvados, depois de ter pendurado as botas em 2008. O ex-jogador do Galatasaray, Torino, Inter, Parma e Blackburn Rovers emigrou para os Estados Unidos em 2015 e exerce a profissão de motorista da Uber. "A vida pode mudar radicalmente de um momento para o outro", comentou, numa entrevista concedida ao jornal alemão "Welt amm Sontag", o antigo avançado, que chegou e enveredar pela política em 2011, pelo partido AKP, liderado por Recep Tayyip Erdogan, o presidente da Turquia.

No seguimento de vários escândalos de corrupção, muitos relacionados com futebol, Sukur resolveu deixar o partido e, segundo o próprio, sofreu represálias. "Começaram logo as hostilidades. A loja da minha esposa foi apedrejada, os meus filhos foram assediados e meu pai preso", recordou, precisando que a ordem de detenção do seu pai ocorreu quando emigrou para os Estados Unidos, em jeito de fuga. "Não tenho mais nada em nenhum lugar do mundo. Erdogan apoderou-se de tudo o que era meu: o direito à liberdade, o direito de me explicar, de me expressar, o direito ao trabalho".

Atualmente com 48 anos, Sukur reside em Washington e, além de trabalhar como motorista do Uber, vende livros, tendo encerrado há algum tempo um café, desiludido pelo facto de uma fã turca ter sido presa no seu país de origem depois de ter tirado uma "selfie" naquele espaço com o ex-jogador. Em 2016, foi surpreendido por um mandado de prisão sob a acusação de "pertencer a um grupo terrorista armado", liderado pelo muçulmano Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos, mas tudo não passou de um equívoco e desde então vive em paz ao mesmo tempo que alimenta o sonho de que "os direitos humanos" voltem a ser respeitados na Turquia. "Espero que regresso a democracia e a justiça ao meu país", desejou.