FIFA criticada por não divulgar castigo a treinadora suspensa por agressões sexuais

FIFA criticada por não divulgar castigo a treinadora suspensa por agressões sexuais
Redação/H.L.

Em defesa, um porta-voz do organismo que tutela o futebol mundial explicou que "todas as sanções são comunicadas em primeira instância pelo respetivo órgão de investigação"

A FIFPro, associação de futebolistas profissionais, criticou a FIFA por proibir "a título particular" uma antiga treinadora da equipa feminina sub-15 da Mongólia, Uchralsaikhan Buuveibaatar, castigado pela federação do país por assediar e agredir juvenis em 2019, defendendo que a proibição devia ser anunciada internacionalmente.

"Não é suficiente proibir indivíduos a título particular. Numa indústria em que os profissionais se deslocam frequentemente entre clubes e países, isto permite simplesmente que os perpetradores assumam funções noutros locais. Para manter os jogadores em segurança, precisamos de um sistema no qual um aviso seja disponibilizada ao público", refere a FIFPro, citada pelo jornal inglês The Guardian.

Buuveibaatar foi sancionada pela FIFA em agosto de 2019 devido a uma investigação da Federação Mongol de Futebol (FMF) que serviu para descobrir que o antigo técnico, posteriormente castigado, assediou sexualmente e bateu em atletas menores de idade durante o Festival de Futebol da Ásia Oriental, então realizado na Coreia do Sul.

"Se, após investigação, os indivíduos forem proibidos, isto deve ser expandido e registado internacionalmente. Jogadores, clubes, ligas e federações devem poder aceder a estes registos para se protegerem", completou a associação internacional.

Buuveibaatar foi suspensa, por deliberação do órgão disciplinar da FMF, de todas as atividades relacionados com o futebol naquela altura, sendo despedida uma semana mais tarde, pelo então secretário-geral Ulziikhuu Shijir. A sanção foi comunicada à Confederação Asiática de Futebol (AFC) apenas três meses mais tarde (novembro).

Em defesa da FIFA, um porta-voz do organismo explicou que "dada a gravidade destes casos frequentemente de natureza criminosa, todas as sanções são comunicadas em primeira instância pelo respetivo órgão de investigação" e que as decisões tomadas pelo comité de ética eram "comunicadas à discrição".