"Eles viajavam sempre com o combustível no limite para fazer mais dinheiro"

"Eles viajavam sempre com o combustível no limite para fazer mais dinheiro"

Um alegado mecânico de aeronaves, que trabalhou com a companhia Lamia, faz graves acusações à empresa a que pertencia o avião que transportava o Chapecoense

Vários áudios a circular na Internet dão conta do depoimento de um mecânico que trabalhou para a Lamia. Ele acusa a empresa de ter por hábito fazer as suas aeronaves viajar com o combustível no limite para "fazer mais dinheiro".

No caso concreto da aeronave que se despenhou com Chapecoense, disse que "o clube alugou uma aeronave que não tinha autonomia para fazer essa viagem pela distância e com condição de tempo ruim ou condição de vento contra".

"Eu o atendi (o piloto e dono da empresa Miguel Quiroga) no meu hangar umas cinco ou seis vezes nos últimos 40 dias. A equipe do Atlético nacional de Medellín voou duas vezes com ele, o Sportivo Luqueño viajou com ele, a seleção da Venezuela, a seleção da Argentina e da Bolívia. Eles viajavam sempre com o combustível no limite para fazer mais dinheiro. Faz uma semana que eu chamei um de meus advogados e mandei uma carta tentando proibir a operação daquela aeronave, mas eu acho que não chegou a tempo e eles conseguiram outra permissão para o voo de ontem", declara.

Segundo este mecânico o piloto do avião acidentado, Miguel Queiroga, terá omitido num primeiro momento a a falta de combustível para evitar pesadas multas à sua empresa.

"Quando o avião chegou perto de Medellín, outro avião, da Viva Colômbia, declarou emergência, pelo facto do combustível estar a vazar do motor. Aí, eles [a torre de controle do aeroporto] deram preferência. Eles ligaram para as quatro aeronaves e perguntaram se eles precisavam de alguma coisa, e o piloto escondeu não ter mais combustível. Ele fez duas voltas e depois de cinco minutos perguntou para a torre, bem tranquilamente: vocês sabem em quanto tempo a gente estará a aterrar? A torre falou: você é o terceiro. Três minutos mais tarde, o piloto diz: estou a precisar de aterrar porque não tenho combustível. Aí os dois aviões, que estavam antes, saem da lista e o avião da Chape começa a descer", conta o suposto mecânico.

"Aí, ele ( Miguel Quiroga) fala: tem uma paragem elétrica. E porque ele fala isso? Se o piloto consegue aterrar, e ele achou que ia conseguir aterrar, e diz que está com falta de combustível, eles lhe dão uma multa tão grande que aquela empresa irá quebrar, fica sem nada, porque ele só tem um avião. Então, o piloto fala: estou com paragem elétrica, achando que ele vai chegar ao aeroporto, só que estava a 30 km do aeroporto. Ele bate porque não tem mais combustível", completa.

O homem do áudio também afirma que a aeronave jamais poderia realizar a viagem contratada pela Chapecoense. "A Chapecoense alugou uma aeronave que não tinha autonomia para fazer essa viagem pela distância e com más condições de tempo ou condição de vento contra. Isso foi o que aconteceu. A aeronave tinha 2.965 km de autonomia de voo e eles voaram 2.975 km. E ainda faltavam 20, 30 milhas para chegarem ao aeroporto", relata.