Corte salarial no Barcelona esbarrava no "Barçagate"

Corte salarial no Barcelona esbarrava no "Barçagate"
Redação

Renitência de quatro jogadores demorou o processo, mas os capitães - Messi, Busquets, Piqué e Sergi Roberto - estiveram sempre dis poníveis para um acordo que evitasse uma imposição

Quando Messi anunciou na segunda-feira, ao início da tarde, que os jogadores do Barcelona aceitavam cortes salariais de 70 por cento, e que para além disso ainda contribuíam com verbas para que os funcionários do clube recebessem os salários por inteiro, causou alguma estranheza que o argentino juntasse à proclamação de tão nobre decisão palavras duras contra a direção do emblema. Josep Bartomeu apressou-se a falar publicamente no que pareceu uma tentativa de pacificação, por ter-se tornado claro que as relações entre o plantel e os dirigentes já estavam deterioradas e que este episódio poderia ter ainda piorado as coisas. E é verdade, fazendo fé no que conta o diário "Sport", sempre muito por dentro do que se passa no balneário "culé".

A decisão de aceitar os cortes salariais estava praticamente decidida desde a primeira abordagem do presidente aos capitães de equipa, mas tardou a ser concretizada exatamente devido à animosidade reinante. Mais do que as dúvidas jurídicas, se aplicava ou não para os futebolistas a mesma legislação que abrangia os restantes trabalhadores, a resistência interna assentou no princípio da falta de confiança e nas feridas ainda não curadas do "Barçagate".

Em meados de fevereiro, a "Cadena Ser" revelou que a direção do Barcelona tinha contratado uma empresa que criava contas falsas nas redes sociais para criticar os jogadores e elementos da oposição. A trama terá custado um milhão de euros e esteve a cargo da empresa I3 Ventures, a mesma que em junho de 2019 apresentara um estudo encomendado pelo Barça revelando que 30 por cento das contas que falavam do clube eram automatizadas. O caso, que criou um tremendo mal estar no balneário, ficou conhecido como "Barçagate" e agora voltou à discussão do plantel.

Segundo a mesma fonte, depois da conversa dos capitães com o restante grupo, de um lote de jogadores renitentes a aceitar os cortes salariais, no final eram apenas quatro os dissonantes. O "Sport" garante mesmo que houve um jogador que fez a seguinte pergunta: "O nosso dinheiro vai servir para pagar o milhão de euros do "Barçagate""?

Depois deste episódio os capitães de equipas terão perguntado individualmente a cada elemento do plantel qual o respetivo posicionamento para conseguirem o sim final, conseguindo convencer o quarteto de que era melhor obter um acordo do que ter de lidar com uma imposição legal que haveria de aparecer. A unanimidade terá sido conseguida no sábado e no domingo terão anunciado ao presidente Bartomeu que o acordo estava iminente. Faltava apenas o comunicado oficial, a ser redigido pelos capitães, mas incluindo, por imposição dos jogadores mais críticos, a referência a alguém "dentro do clube" que queria pôr os jogadores "debaixo de olho".

O jornal garante ainda que este complexo processo negocial serviu para unir o balneário, que sairá de crise bem mais coeso do que entrou nela. Serviu igualmente para clarificar as lideranças e sarar feridas antigas.