Catalunha: Guardiola pede em vídeo que pressionem Espanha no conflito catalão

Catalunha: Guardiola pede em vídeo que pressionem Espanha no conflito catalão

Guardiola afirma que decisão do Supremo Tribunal Espanhol é "um ataque direto aos direitos humanos".

Guardiola, treinador do Manchester City, pediu esta segunda-feira que a comunidade internacional pressione Espanha para que esta se sente à mesa e se disponibilize a dialogar para encontrar soluções políticas e democráticas para o conflito catalão.

Num vídeo com um pouco mais de dois minutos, em inglês, promovido pela plataforma Tsunami Democràtic, que lidera os protestos contra a sentença desta segunda-feira do Supremo Tribunal Espanhol, Guardiola assinala que a luta não violenta do independentismo catalão não irá parar até que termine a repressão e se respeite o direito à autodeterminação como aconteceu no Quebec e na Escócia.

"Exigimos que o Governo espanhol encontre uma solução política e democrática. O que pedimos é: 'Espanha, senta-te e fala'. Pedimos à opinião pública internacional e à sociedade civil que pressionem os respetivos Governos para que intervenham neste conflito para que se encontrem soluções políticas e democráticas", acentuou o treinador do Manchester City, para quem só há uma saída para o conflito na Catalunha que é o diálogo.

A sentença, segundo expressa Guardiola no citado vídeo, é "um ataque direto aos direitos humanos", ao serem postos em causa direitos como os "de reunião e manifestação, de liberdade de expressão e a um juízo justo", o que segundo ele, "é inaceitável na Europa do século XXI".

Para o antigo treinador do Barcelona, a Espanha está a viver uma deriva autoritária, na qual se utiliza uma lei antiterrorista para perseguir dissidentes e artistas por exercerem a sua liberdade de expressão, e lamenta que nenhum Governo espanhol tenha tido "a coragem de enfrentar este conflito com diálogo e respeito, em vez de usar a repressão como única resposta"

Guardiola tem sido uma das figuras públicas que se têm solidarizado com a causa da independência da Catalunha e com os presos independentistas, assumindo protagonismo em algumas das mobilizações pela independência antes do referendo unilateral promovido pelo Governo catalão.

Em março de 2018, o treinador do Manchester City foi punido com uma multa de 20.000 libras (22.500 euros) por exibir um laço amarelo em apoio aos presos catalães durante jogos da Premier League, da Taça da Liga e da Taça de Inglaterra.

O Tribunal Supremo espanhol condenou esta segunda-feira em Madrid os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, no caso do ex-vice-presidente do governo catalão.

Assim que foi conhecida a sentença, uma série de grupos de independentistas iniciaram movimentos de protesto em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

A polícia antidistúrbios carregou sobre um grupo que protestava no exterior do aeroporto de Barcelona, enquanto outros grupos separatistas incendiaram pneus para impedir a circulação de comboios e alguns bloquearam a circulação rodoviária em estradas da região.