O ponto de situação no caso PSG: três indivíduos detidos espiaram Al-Khelaifi

Nasser Al-Khelaifi

 foto AFP

Surgem mais detalhes de uma investigação que coloca o presidente do PSG no centro de um escândalo.

Conhecidos na quinta-feira alguns detalhes da estrondosa polémica que se abateu sobre o Paris Saint-Germain, mais concretamente sobre o presidente Nasser Al-Khelaifi, que enfrenta acusações de ter recorrido a táticas de extorsão, agressão e chantagem para silenciar um empresário franco-argelino.

A imprensa francesa avançou também que três indivíduos acusados de lavagem de dinheiro a favor do PSG foram detidos e prestaram declarações no tribunal de Paris, sendo um desses indivíduos Tayeb B, o tal empresário.

Ora, esta sexta-feira, o jornal Le Parisien revela mais detalhes acerca do caso, explicando que os outros dois detidos são antigos polícias, tendo o trio sido colocado em custódia policial devido a acusações de "violação do segredo profissional, tráfico de influências, corrupção, falsificação e uso de falsificação, assistência à entrada e estadia ilegal na organização de um grupo e abuso de finalidade".

A investigação das autoridades parisienses, aberta em julho de 2021, descobriu ainda que a dupla de ex-polícias pertence a uma rede que espiou o dirigente máximo do PSG e da Associação de Clubes Europeus (ECA), com o objetivo de obter vídeos e gravações privadas.

Em outubro de 2021, o mesmo jornal já havia noticiado que tinham sido encontrados vários documentos e dezenas de horas de gravações não autorizadas de Al-Khelaifi, assim como alguns vídeos da sua vida íntima, na casa de Malik N, um dos antigos polícias detidos.

Terá sido aqui que entrou Tayeb B, que alegadamente ordenou que essa informação fosse vendida. Ambos os indivíduos enfrentam acusações de falsificação, corrupção, receção de bens roubados e cumplicidade no uso impróprio de documentos, sendo que um deles ainda está acusado de roubo.

Já o outro polícia enfrenta acusações de ter ajudado numa invasaão de propriedade e na falsificação de documentos, suspeitando-se ainda que tenha sido "recompensado" com uma licença de residência proveniente de um investidor do Médio Oriente.

O trio está sob supervisão judicial, sendo que os dois ex-polícias foram proibidos de voltar a trabalhar como agentes da autoridade ou seguranças privados. O Le Parisien acrescenta que os três indivíduos não estão a ser muito cooperativos com as autoridades e alegam ter apenas descoberto as tais gravações não autorizadas, negando qualquer ato de espionagem.

No que toca ao caso específico de Tayeb B, que passou grande parte do ano de 2020 detido no Catar, devido a acusações de chantagem a Al-Khelaifi, com base em vídeos e gravações acedidas ilegalmente, várias fontes francesas avançam que a sua detenção foi ordenada por um alto magistrado do país.

Essa ordem terá chegado após o empresário franco-argelino, de 41 anos, ter tentado vender a tal informação sensível aos Emirados Árabes Unidos, inimigo do Catar, como prova de que o país não estaria preocupado com a organização do Mundial de 2022.