"Fomos pisados por outros adeptos e pontapeados por polícias"

Adeptos invadiram o relvado e deu-se uma tragédia na Indonésia

 foto EPA

Adepto do Arema explica como ocorreu a tragédia na Indonésia.

A contabilidade oficial da tragédia de sábado à noite no Estádio Kanjuruhan, em Malang (indonésia) está este domingo cifrada em 174 mortos e mais de 150 feridos, segundo informou a CNN Indonésia.

Os incidentes verificaram-se na sequência da derrota (3-2) do Arema, em casa, frente ao Persebaya, para a liga da Indonésia. Abel Camará e Sérgio Silva, dois futebolistas do Arema, viveram a tragédia.

Segundo um espectador afeto ao Arema, tudo começou após o jogo, quando os adeptos do clube da casa invadiram o recinto como forma de protesto para o mau jogo feito pela sua equipa. "Viemos protestar contra os jogadores e dirigentes do Arema. Porque é que o Arema perdeu? O objetivo era apenas o de protestar para que o Arema possa ser ainda melhor no futuro", afirmou Riyan Cahyono, de 22 anos, ao jornal Kompas.

Segundo conta, o pânico instalou-se após a ação da polícia, que tentou dispersar a multidão com gás lacrimogéneo. "Naquela altura eu estava indefeso. Uma amiga que estava comigo desapareceu e não sabia como ela estava", explicou Riyan. "Estamos chateados com o tratamento dos agentes de segurança. Também fomos espancados, pontapeados por polícias", disse.

Gafandra Zulkarnain disse ao mesmo jornal que ele e a namorada, Aldita Putri, caíram durante o tumulto provocado por disparos de gás lacrimogéneo. "Nós os dois fomos pisados por outros adeptos quando todos estavam a tentar sair do estádio", contou.

Como resultado, ele sofreu contusões na mão esquerda e na perna esquerda. Aldita Putri, por sua vez, sofreu ferimentos na têmpora esquerda e na testa. "Naquela altura, nós não descemos ao relvado, ficámos apenas nas bancadas. No entanto, tudo aconteceu repentinamente depois do gás ser disparado contra os nossos lugares", informou.

O par conseguiu escapar do Estádio Kanjuruhan, apesar das condições respiratórias débeis e de os olhos estarem doridos por causa dos tiros de gás lacrimogéneo. "Felizmente pudemos sair e ainda estamos vivos neste momento. Porque muitos outros adeptos morreram como resultado da tragédia", explicou.