"Vendi drogas e comi hambúrgueres do lixo, mas o futebol salvou-me"

"Vendi drogas e comi hambúrgueres do lixo, mas o futebol salvou-me"
Redação

Evra, antigo craque do Manchester United, recordou alguns dos piores episódios da vida pessoal, que deram corpo, inclusive, a uma autobiografia

Dono de uma carreira de nomeada, categoricamente abrilhantada por 21 títulos e três prémios individuais, proporcionando-lhe momentos de para mais tarde recordar, Patrice Evra, em oposição, teve uma infância quartejada por traumáticas memórias.

O ex-lateral revelou que, antes de calçar as chuteiras e mostrar valor, atuou ilegalmente ao traficar estupefacientes e teve falta de comida em casa, situação originada pelo abandono paterno, forçada por haver contas para pagar.

"Por vezes, de madrugada, quando deitavam fora big-macs [hambúrgueres do McDonalds] frios, nós íamos buscá-los ao caixote do lixo. Vendi até drogas. Depois da partida do meu pai, tudo estava num caos em casa", contou Evra, ilustrando instinto de sobrevivência.

Numa altura crítica da vida, ainda o sucesso conquistado, mais tarde, era um sonho, o antigo defesa do Manchester United, foi inclusive, alvo de abusos sexuais por parte de um professor, incidente que manteve, arrepende-se, em segredo.

"Não tenho vergonha quando admito que me senti como cobarde durante por não ter falado sobre isso. Era algo que estava apertado no meu peito", confessou Evra, que lançou, recentemente, uma autobiografia onde expôs a vida pessoal.

O propósito é evitar que se remeta ao silêncio, por causa da vergonha, quem passe pelo mesmo. "Não estou a fazer isto por mim, estou a fazê-lo pelas crianças. Não quero que ninguém tenha vergonha de viver algo assim", juntou Evra.

Mais tarde, com 17 anos, o francês, foi como que recompensado pelo martírio: bastou entrar num relvado. "O futebol salvou-me", admitiu o antigo craque, que, em 1997, entrou na formação do PSG, e, em 2018, consagrara-se com um dos melhores.