Paulo Madeira destaca característica de Mourinho: "Sempre foi uma grande arma"

Paulo Madeira destaca característica de Mourinho: "Sempre foi uma grande arma"
Redação com Lusa

José Mourinho, de 58 anos, vai cumprir o milésimo jogo nos bancos no domingo, na receção da Roma ao Sassuolo, em jogo da terceira jornada da Liga italiana, 21 anos depois da estreia pelas águias.

A frontalidade de José Mourinho foi contemplada pelo ex-internacional português Paulo Madeira, o primeiro "capitão" do vasto percurso do "special one" como treinador principal de futebol, na passagem fugaz pelo Benfica, em 2000/01.

"Apesar de curta, nem tudo correu muito bem. Houve uma determinada altura em que ele implicou comigo, Carlos Marchena e Fernando Meira, num célebre jogo em que jogámos na Madeira com três centrais e perdemos [3-0 com o Marítimo, na 10.ª jornada da I Liga]. São coisas do futebol que acontecem e às quais o treinador tem de apontar o dedo. Na altura, fiquei triste, mas faz parte do crescimento", recordou à agência Lusa o ex-defesa.

José Mourinho, de 58 anos, vai cumprir o milésimo jogo nos bancos no domingo, na receção da Roma ao Sassuolo, em jogo da terceira jornada da Liga italiana, 21 anos depois da estreia pelas águias, a 23 de setembro de 2000, numa derrota frente ao Boavista (0-1), que conquistaria um inédito título de campeão nacional nessa época.

"Mal deu os primeiros treinos, notava-se que tinha algo de diferente, e acabou por vir a confirmar isso. Passados estes anos todos, continuo a considerá-lo o melhor treinador do mundo, não só pelos títulos que possui, mas pela dedicação conferida à profissão. É um jovem que já ganhou praticamente tudo, tem uma estabilidade tremenda em termos financeiros e continua sempre a querer um bocado mais. É de se tirar o chapéu", frisou.

O setubalense trabalhava como técnico adjunto do holandês Louis van Gaal nos espanhóis do FC Barcelona quando foi seduzido pelo convite do Benfica para assumir inéditas funções, em substituição do alemão Jupp Heynckes, demissionário após a vitória com lenços brancos frente ao Estrela da Amadora (2-1), na quarta jornada da I Liga.

"O futebol já está inventado e não há ninguém que venha dizer que vai fazer de maneira diferente para conseguir os objetivos. Sendo uma modalidade simples, quanto mais simplicidade se puser na forma de treinar e jogar, mais facilmente se consegue ganhar. Ele apresentou-se com treinos básicos, simples e objetivos, sendo que, muitas vezes, o jogador tem a mania de achar que sabe tudo e não precisa de ser ensinado", notou.

O arranque foi periclitante, incluindo um empate caseiro com os suecos do Halmstads (2-2), que ditou o afastamento na primeira ronda da Taça UEFA, adiando o primeiro triunfo até à quarta partida, ante o Belenenses (1-0), no antigo Estádio da Luz, para a I Liga.

"No decorrer dos jogos e treinos, os atletas iam sentindo que estava ali um treinador com presença, que se impunha e não tinha papas na língua. Era uma liderança diferenciada. Apesar da sua juventude na altura, não tinha absolutamente medo nenhum de poder confrontar A, B e C. Isso sempre foi uma grande arma dele", analisou Paulo Madeira.

Apesar de ter sentido uma fase turbulenta na história do Benfica, o plantel foi traduzindo em resultados a harmonia criada em redor de José Mourinho, cujo futuro ficou em causa com a derrota de João Vale e Azevedo, para Manuel Vilarinho, nas eleições de outubro.

"Apesar da inexperiência como treinador principal, era um técnico já batido, porque fora adjunto do Bobby Robson e presenciou muitas conferências do Louis van Gaal. Sabia como reagir em certas situações e tinha estudado muito bem a lição de como poderia atingir este nível. Na minha modéstia opinião, foi um começo pesado. Não é para todos iniciar a carreira logo no Benfica. Foi uma aposta de muito risco, mas positiva", admitiu.

Desapoiado pela nova direção, então comprometida com o treinador Toni, o setubalense saiu em 05 de dezembro, dois dias após vencer em casa o Sporting (3-0), deixando os "encarnados" na sexta posição da I Liga, com 24 pontos, sete abaixo do líder FC Porto.

"Um treinador tem sucesso se conseguir dominar a parte física, a grande especialidade dele, a parte mental, associada à forma como motivava os jogadores e falava com os jornalistas nas conferências de imprensa, e a parte tática, sobre como preparava os exercícios do treino. Ao fim destes anos, ele domina essas facetas de forma fantástica. Por isso é que está onde está e quer ganhar mais títulos", observou Paulo Madeira.

O ex-defesa, de 51 anos, participou em quatro dos 11 jogos sob orientação de José Mourinho e foi um dos quatro "capitães", a par de Ronaldo, Calado e Maniche, do Benfica em 2000/01, a pior época da história dos lisboetas, com o sexto lugar no campeonato e a ausência das provas europeias pela primeira vez desde 1959/60.

"Antigamente, havia dois ou três adjuntos e foi importante a entrada dele com o Mozer. Agora, há uma panóplia de pessoas. Não digo que é mais fácil, mas o treinador foca-se mais naquilo que é importante. Havendo diferenças, diria que hoje em dia é uma pessoa mais tranquila. A própria juventude não é tão irreverente como no passado", finalizou.