"Objetivo era fazer o que aconteceu no FC Porto em 2003/04: chegar ao topo do futebol mundial"

"Objetivo era fazer o que aconteceu no FC Porto em 2003/04: chegar ao topo do futebol mundial"
Redação com Lusa

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José Mourinho foi distinguido esta quinta-feira no Web Summit e passou a carreira em revista.

Ao deixar de coadjuvar o holandês Louis van Gaal nos espanhóis do Barcelona, José Mourinho efetivou a carreira de treinador principal em 2000, numa breve passagem pelo Benfica, que antecedeu uma curva de ascensão da União de Leiria até ao FC Porto.

"Quando comecei a carreira no meu país, o objetivo era fazer tudo aquilo que aconteceu em 2003/04 [no FC Porto]: chegar ao topo do futebol mundial com uma equipa portuguesa recheada de jogadores nacionais. Daí em diante, nunca mais ninguém repetiu aquele feito. Foi um momento de orgulho e o clique na minha carreira", notou.

Ultrapassado o "tempo para trabalhar em Portugal", abrilhantado com a conquista da Liga dos Campeões pelos dragões, veio o "tempo de ser português" no estrangeiro, munido de uma postura "aventureira, sem medo de arriscar ou de ir contra as probabilidades".

"Cheguei a todos os campeonatos de topo e percebo que fiz com que os mais novos sonhassem. Na minha geração, os mais jovens queriam ser jogadores, mas a realidade é que hoje há muitos miúdos que sonham ser treinadores. Se ajudei nisso, é algo tão ou mais importante do que ter mais ou menos troféus, mais ou menos medalhas", frisou.

As passagens anteriores por Inglaterra (Chelsea e Manchester United), Itália (Inter de Milão) e Espanha (Real Madrid) mostraram um Special One "sempre aberto para se adaptar" na vertente pessoal e tática, embora sem "nunca perder a própria identidade".

"Não gosto de zonas de conforto, por isso não escolhi um campeonato intermédio antes de ir para a Premier League. Todos diziam o quão era difícil a mentalidade italiana para um treinador com outra metodologia. Em Espanha, o Barcelona era dominador e não havia maior desafio. Hoje sou uma pessoa rica e com experiência fantástica", contou.

José Mourinho, agraciado esta quinta-feira com o prémio "Inovação no Desporto", cultiva memórias "bem escondidas e fechadas" sobre os 25 troféus somados em 20 anos, mas lamenta ter estado mais de metade dos 11 meses ao leme dos spurs sem público nos estádios.

"A minha maior conquista? A resposta pode parecer tonta se não perceberem, mas foi o último jogo que ganhei. Apesar de ter medalhas e réplicas de taças, quero sempre mais. Treinar é divertido, mas pode ser complicado. Se não nos divertirmos e tivermos prazer, não conseguimos chegar à dimensão em que fazemos a diferença", concluiu.