Os gregos dão a receita a Portugal: jogar sem medo

Os gregos dão a receita a Portugal: jogar sem medo
Bruno Filipe Monteiro

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Há 12 anos, a Grécia não era favorita, defrontava o anfitrião na final e levou o troféu. No dia em que Portugal passa pelo mesmo, quatro campeões de 2004 explicam a O JOGO como se faz.

Doze anos é muito tempo. E ainda que se tenham realizado dois Europeus durante esse período, a final de hoje (20h00) traz à memória dos portugueses a de 2004. As semelhanças, de resto, são várias: também é disputada pelo anfitrião, que também é considerado, pela maioria dos analistas, o grande favorito à vitória, e também contará com Portugal. Desta vez, porém, a Seleção Nacional irá apresentar-se na pele da Grécia. O que, a avaliar pelo desfecho daquele jogo na Luz (os gregos venceram 1-0, com golo de Charisteas), até poderá ser bom. Para a imitar, a equipa das Quinas só tem de seguir à risca a receita que quatro campeões do Euro"2004 avançam a O JOGO: chegar a Saint-Denis consciente de que o conseguido até aqui já foi um sucesso, entrar no relvado totalmente concentrado, cumprir o plano traçado por Fernando Santos e, acima de tudo, jogar sem medo.

"A pressão estará toda do lado da França. Por isso, Portugal terá de entrar como se não tivesse nada a perder", aponta Traianos Dellas, o central mais cotado da Grécia em 2004, numa opinião partilhada pelo guarda-redes titular, Antonios Nikopolidis. "Chegar à final já foi um grande sucesso para os portugueses. Se o adversário fosse mais acessível, talvez fosse diferente. Assim devem pensar que tudo o que conseguirem agora será um extra", vinca, enquanto Kostas Katsouranis recusa a ideia de a equipa das Quinas poder entrar nervosa. "É diferente quando tens o estádio todo do teu lado, mas com o tempo isso ignora-se. Portugal tem jogadores muito experientes, como o Ronaldo, o Pepe ou o Moutinho, e que não se deixarão levar pelo ambiente. Quem cometer menos erros, como se viu no França-Alemanha, vencerá", sustenta o ex-médio, que mais tarde viria a jogar no Benfica, recolhendo o apoio de Vassilios Tsiartas. "Se nós vencemos, Portugal também pode fazer o mesmo. O segredo passa por estar concentrado e aproveitar as oportunidades. Poderão não ser muitas, porque a França deverá ter maior domínio, mas bastará uma para vencer. Se a França marcar primeiro, é que poderá ser um problema, porque obrigará a reagir e o risco será ainda maior", defende o antigo médio, acabadinho de concluir o curso de treinadores.