Mundial Sub-20 em 1991: Campeões de consumo

Mundial Sub-20 em 1991: Campeões de consumo
Marco Gonçalves

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Grande parte dos futebolistas da Seleção Nacional sub-20 que venceu o Mundial"1991, em Lisboa, foi aproveitada logo na época seguinte, batendo até a de Riade. A de 2015 também não fez melhor

Na próxima quinta-feira, dia 30 de junho, assinalam-se os 25 anos sobre a conquista de Portugal no Mundial sub-20, em Lisboa. E bem se pode dizer que a segunda geração campeã - dois anos antes, em 1989, venceu também a competição em Riade, na Arábia Saudita - foi de consumo imediato, já que dos 18 convocados por Carlos Queiroz, 13 aproveitaram para cavalgar a onda do título e granjear espaço na temporada seguinte, quer pela afirmação como titulares nas respetivas equipas, quer por meio do regresso aos seus clubes de origem ou até pela cedência a emblemas de maior exigência ou de escalões superiores, com Peixe (melhor jogador do torneio), Rui Bento, Figo e Rui Costa a serem os principais exemplos deste "efeito campeão".

Estes 13 casos de aproveitamento são mais do que aquilo que a primeira geração tinha conseguido, pois da fornada de 1989 foram 11 (também em 18) os jogadores que deram o salto - Jorge Couto, que se impôs no regresso ao FC Porto após cedência ao Gil Vicente, foi o caso mais evidente -, e superam também os números da última equipa a representar Portugal na competição: da equipa que disputou o Mundial"2015, na Nova Zelândia, houve 11 futebolistas em 21 que conseguiram ou puderam dar passos nas carreiras num patamar superior no ano seguinte.

Se se pode dizer que os campeões de Riade abriram caminho a uma nova era no futebol português, a geração de 1991 deu o pulo para outro nível, com muitos dos atletas que venceram a prova a terem, mais tarde ou mais cedo, percurso no estrangeiro, mais do que aquilo que sucedeu com a equipa anterior. Isto porque o número de elementos que emigrou passou de sete (39 por cento) na equipa de 1989 para 11 (61 por cento) na de 1991. E em sentido inverso à maioria, João Vieira Pinto, o único bicampeão (em Riade, Brassard não teve utilização), foi também o único atleta, entre as duas gerações vencedoras, a chegar a um Mundial já com experiência internacional, acabando por regressar após o título de Lisboa, face à passagem falhada no Atlético de Madrid (foi colocado nos bês) para nunca mais sair de Portugal.

Apesar da maior abertura e competitividade que existe neste momento, a comparação entre os plantéis de 1991 e 2015 revela que há agora maior dependência de jogadores dos três grandes - a criação das equipas B também terá influído. Se entre os campeões de Lisboa apenas seis em 18 foram chamados à prova depois da época por Benfica, Sporting ou FC Porto, este número subiu para 12 no último Mundial. E se contabilizarmos também os jogadores que tinham contrato com os três grandes, mas que estavam cedidos, os totais passam a dez e 14.