Taremi está na lista negra dos Estados Unidos e tem o Mundial'2026 em risco

Taremi brilhou no FC Porto e é figura na seleção iraniana (Créditos: EPA)
Avançado que passou por Portugal fez o serviço militar em instituição considerada terrorista pelos EUA, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica
Mehdi Taremi, antigo avançado de Rio Ave e FC Porto e figura proeminente da seleção do Irão, está em risco de falhar o Mundial'2026 que será organizado por Estados Unidos, Canadá e México devido à instituição onde fez o serviço militar, entre 2010 e 2012.
O serviço militar é obrigatório no Irão para maiores de 19 anos, e muitos jogadores cumprem as suas obrigações através de exceções para desportistas juntando-se a clubes afiliados às forças armadas, como o Malavan Anzali ou o Fajr Sepasi. Contudo, Taremi decidiu outra via, juntando-se à divisão da marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), enquanto atuava no modesto Shahin Bushehr ainda sem entrar no futebol profissional.
"O meu serviço foi mesmo ali, em Bushehr. Perto da nossa casa, na base naval do CGRI. Não foi nada difícil", disse Taremi numa entrevista em 2015. Segundo a Tasnim News Agency, a opção de Taremi deveu-se a ligações do pai Alireza Taremi à Guarda Revolucionária Islâmica.
O CGRI é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos da América, o que leva a que quem tenha frequentado o serviço militar nessa instituição não consiga obter visto para entrar nos EUA (o Irão cumpre dois jogos da fase de grupos em Los Angeles e um em Seattle). Aquando do sorteio da fase de grupos do Mundial'2026, a federação do Irão chegou a ameaçar boicotar a cerimónia por problemas na obtenção de vistos por alguns elementos da sua comitiva, tais como o próprio presidente da federação, Mehdi Taj, o treinador adjunto Saeed Elhayi, ambos precisamente por terem também feito o serviço militar no CGRI, e Mehdi Malekabadi, oficial do Ministério de Inteligência (foram ainda negados mais dois vistos, perfazendo um total de cinco).
Mehdi Taj já falou implicitamente do caso de Taremi: "Os Estados Unidos podem não emitir vistos para alguns jogadores devido ao local onde prestam serviço militar. Temos de preparar opções alternativas para o Mundial. Se, por qualquer motivo, um jogador for informado de que não pode viajar, temos de ter substitutos prontos".
Refira-se que Gianni Infantino, presidente da FIFA, já se referiu a exceções na atribuição de vistos para jogadores que vão disputar o Mundial'2026, sobretudo os que são de países com restrições de entrada nos EUA ("Trump Travel Ban), como o Haiti, Irão, Costa do Marfim e Senegal. Porém, o governo norte-americano já fez saber que nada se sobrepõe a questões de segurança nacional: "A Administração Trump está empenhada em fazer tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar o sucesso do Mundial. Ao mesmo tempo, a administração não vacilará em fazer cumprir a legislação dos EUA e os mais elevados padrões de segurança nacional e pública na condução do nosso processo de concessão de vistos. Julgamos cada pedido de visto caso a caso, após uma análise rigorosa e uma verificação minuciosa para determinar se o indivíduo é elegível nos termos da legislação dos EUA."
O caso de Taremi tem ainda outra agravante. O avançado que atualmente representa o Olympiacos fez uma publicação nas redes sociais a 8 de agosto de 2017, com uma imagem do então Líder Supremo do Irão Ali Khamenei com o texto "Imã Khamenei: Israel não chegará aos próximos 25 anos", apelando à destruição de Israel, aliado dos Estados Unidos. A publicação desapareceu das suas redes em 2019, antes de se mudar para o Rio Ave. No entanto, imagens da publicação continuam a circular.
Não são conhecidos publicamente os registos militares de todos os jogadores da seleção do Irão, mas poderá haver mais casos semelhantes ao de Taremi.

