Real Madrid, UEFA e EFC chegam a acordo e fim oficial da Superliga Europeia está perto

EPA
Merengues explicam que há "um princípio de acordo para o bem-estar do futebol europeu a nível de clubes" que "servirá também para resolver as disputas legais relacionadas com a Superliga Europeia"
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Num comunicado publicado esta quarta-feira, o Real Madrid, um dos fundadores da Superliga Europeia e, até agora, o único resistente, anunciou que chegou a um prinícpio de acordo com a UEFA e a European Football Clubs (EFC) "para o bem-estar do futebol europeu a nível de clubes". É um grande passo para o fim oficial da competição.
"Após meses de discussões conduzidas no melhor interesse do futebol europeu, a UEFA, a European Football Clubs (EFC) e o Real Madrid CF anunciam que chegaram a um acordo de princípio para o bem-estar do futebol europeu a nível de clubes, respeitando o princípio do mérito desportivo, com ênfase na sustentabilidade a longo prazo dos clubes e na melhoria da experiência dos adeptos através da utilização da tecnologia. Este acordo de princípio servirá também para resolver as disputas legais relacionadas com a Superliga Europeia, assim que esses princípios forem executados e implementados", lê-se na nota dos blancos.
A Superliga Europeia surgiu em 2021 pela mão de 12 clubes, mas não chegou a avançar. O Barcelona desistiu do projeto há poucos dias e só restava o Real Madrid. A ideia inicial era substituir a Liga dos Campeões.
O Real Madrid e o promotor da Superliga, a A22 Sports Management, ameaçavam reclamar judicialmente mais de quatro mil milhões de euros em indemnizações à UEFA, organismo que tutela o futebol europeu, acusando-a de ter inviabilizado o projeto em 2021.
Em dezembro de 2023, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) determinou que a UEFA abusava da sua posição dominante no mercado das competições europeias de clubes, violando o Direito da Concorrência da União Europeia.
No seu acórdão - confirmado em outubro último pela Audiência Provincial de Madrid - o TJUE exigiu à UEFA a abertura do mercado a terceiros organizadores, como a A22.
Em 2025, a A22 solicitou formalmente à UEFA o reconhecimento da Liga Unify, a sua proposta para novas competições europeias, ajustada aos "requisitos estabelecidos pelo acórdão do TJUE", num processo negocial que decorreu durante sete meses (entre março e setembro de 2025), o que a empresa interpretou como "um esforço para alcançar uma solução global e cooperativa para os litígios em curso" com a UEFA.
O acordo hoje assumido surge apenas quatro dias depois do rival Barcelona se ter desvinculado do projeto de criação da Superliga Europeia, cujo principal impulsionador sempre foi o Real Madrid e o seu presidente Florentino Pérez.
No sábado, os catalães, em período eleitoral, com Joan Laporta a tentar a recandidatura, anunciaram que notificaram "formalmente" a Superliga Europeia e os clubes envolvidos sobre a desistência do projeto, que juntava 12 dos maiores emblemas do Velho Continente.
Além do Real Madrid e do FC Barcelona, o projeto foi igualmente assumido, em 18 de abril de 2021, pelos também espanhóis do Atlético de Madrid, pelos ingleses do Arsenal, Chelsea, Manchester City, Liverpool, Manchester United e Tottenham, e pelos italianos do AC Milan, Inter e Juventus.
A competição, de elite, seria disputada em circuito semifechado, concorrente da Liga dos Campeões, organizado pela UEFA.
A reação enérgica do mundo do futebol e o repúdio dos mais variados quadrantes da sociedade e até dos governos de vários países levaram a que, três dias após o anúncio, perante a oposição dos próprios adeptos, apenas Real Madrid, Barcelona e Juventus se mantivessem no projeto.
A UEFA decidiu fazer um exemplo dos dissidentes e, em maio de 2022, anunciou a aplicação de pesadas multas - agravadas no caso dos três clubes que ainda se mantinham fiéis à Superliga -, empurrando a Juventus para fora da iniciativa, apesar de o afastamento apenas ter sido consumado em 2023.

