
Vitinha com Nuno Vieira, diretor de O JOGO, e um gesto que muito se repetiu em 2025, com o médio a receber um prémio
Pedro Granadeiro
Médio foi o maestro de um PSG avassalador. Escolha unânime para o melhor de 2025, abriu o livro numa entrevista imperdível a O JOGO. Internacional português de 25 anos está numa fase soberba da carreira e ainda em ritmo bem ascendente. Espalhou magia e inteligência, da Ligue 1 à Liga dos Campeões, e recolocou Portugal no pódio da Bola de Ouro.
Vítor Machado Ferreira nasceu em Vila das Aves há 25 anos e só não dizemos que chega ao primeiro quarto de vida no auge da carreira futebolística, porque ainda o vemos capaz de fazer melhor, de tão alta que pôs a fasquia. É, obviamente e sem qualquer hesitação, a Personalidade do Ano escolhida por O JOGO, sucedendo a Rúben Amorim (2021), Sérgio Conceição (2022), Fernando Gomes (2023) e Iúri Leitão (2024) no Prémio Carlos Machado. A distinção que, com todas as forças dos nossos corações, não queríamos nada ter de entregar a quem quer que fosse. No entanto, atraiçoado pelo destino, é uma das formas que O JOGO encontra para homenagear um dos nomes maiores das nossas lides e, ao mesmo tempo, reconhecer quem mais fez pelo desporto nos 12 meses anteriores.
Vitinha é diminutivo no nome e superlativo no relvado, seja no avassalador Paris Saint-Germain ou numa Seleção Nacional que renova a esperança para nova fase final, o Mundial dos EUA, Canadá e México. O médio foi maestro de uma equipa que venceu (quase) tudo o que lhe apareceu pela frente, com destaque para a Liga dos Campeões, conquistada com uns impressionantes 5-0 frente ao Inter de Milão. Das escolas do FC Porto para o pódio da Bola de Ouro, onde um português (Ronaldo) não estava desde 2019, o melhor médio do mundo trilhou caminho em pés de lã, mas com tremenda classe, naquele nível que faz as coisas parecem fáceis, mas só está ao alcance da elite. De cabeça sempre levantada e liderança natural, Vitinha vê o jogo uns bons passos à frente dos outros. Gere ritmos, recupera bolas, acerta cada passe, especialmente aqueles que ninguém imagina sequer como hipótese, diz por onde é o caminho e, não raras vezes, escancara-o com assistências e golos, rodando a fita do cabelo na ponta do dedo.
Vitinha tem a classe que o Machado ensinou
O nosso querido Carlos Machado partiu fisicamente há cinco anos, mas continua presente num sem número de decisões, reflexões, sorrisos e, claro, grandes momentos desportivos. O Machado era sabedoria profunda e ordem no meio do caos, um líder por natureza a quem todos recorríamos quando estávamos em apuros. Com ele, tudo era mais simples. Resolvia problemas que pareciam tramados com uma facilidade desconcertante e, no meio disto tudo e não menos importante, era verdadeiramente boa pessoa. Impossível não gostar dele? Mais do que isso: impossível não gostar muito dele, fosse na redação onde era camarada, pai e irmão, fosse entre os seus pares e todas as figuras do desporto com quem se cruzou, num caminho ímpar no jornalismo.
De certa forma, várias destas coisas poderiam ser ditas sobre o Vitinha. Como lhe assenta bem este prémio e como o Machado iria deliciar-se com o génio a espalhar classe na relva. É como se o estivesse a ver em frente à televisão, de mãos nas ancas e olhar sorridente, perante mais um número de Vítor Ferreira. O melhor do mundo. E quem ainda não concorda, um dia vai chegar lá.


