
Bermúdez, antigo defesa do Benfica, primeiro colombiano em Portugal, antecipa um grande choque da competição, em Miami, entre armada lusa e tropa cafetera
Leia também Bednarek sem fratura nas costelas e em luta contra o tempo
Foi o primeiro colombiano a jogar em Portugal, fazendo-o pelo Benfica. Jorge Bermúdez chega como central sólido do América de Cali e impõe-se em Portugal com 38 jogos pelos encarnados, força nas bolas paradas, deixando, porém, a Luz no final da temporada 96/97 para construir a sua ligação duradoura e amplamente titulada com o Boca Juniors.
Figura do futebol cafetero, Bermúdez acabou por ser uma peça importante na seleção, embora só ganhando espaço efetivo em grandes provas no Mundial de 1998. Apesar de ser um indiscutível, resistindo às mudanças no comando entre Manuel José, Mário Wilson e Autuori, o central deixou Portugal sem qualquer título. Bermúdez falou a O JOGO do que representa este Portugal-Colômbia do Mundial de 2026, que se apresenta como embate inédito. "Há uma realidade evidente que mostra que são duas seleções de altíssimo nível, contam com resultados e estilo de jogo que conferem favoritismo a ambos. Não vejo superioridade de algum dos lados. Portugal possui individualmente jogadores de nível mundial, mas a Colômbia é compacta, com uma estrutura bem formada e já vários atletas de boa expressão internacional", analisa o antigo central, hoje com 54 anos, certo de um jogo muito dividido. "Vejo as forças muito mais similares do que possa parecer. Os latinos em competições deste calibre, jogando no seu hemisfério, têm muitas chances de fazer figura", avisa Bermúdez.
Apesar dos anos passados, do distanciamento de 30 anos dessa etapa em Portugal, o antigo defensor tem acompanhado a montra portuguesa, que rendeu tamanho espaço de eleição e superação de muitos colombianos. "Portugal converteu-se num mercado futebolístico muito atrativo para os colombianos e sabemos que os clubes portugueses trabalham de forma muito inteligente. A dependência vem de dar ao nosso jogador a credibilidade e traquejo que necessita para medir-se no futebol europeu com mais eficácia", relata. "Tem sido uma união produtiva para os dois lados, os nossos jogadores têm aproveitado e os clubes têm retirado sucesso das suas apostas", evidencia.
Sem exemplos de jogos a nível máximo, Portugal e Colômbia mediram forças, sim, na grande caminhada portuguesa para o título no Mundial de Riade, de sub-20, em 1989. Ficava a Colômbia de Bermúdez pelo caminho nos "quartos". "Recordo bem esse jogo como outros que existiram nas seleções jovens. Defrontando Portugal, sabemos que vai haver sempre um grande nível técnico e são os detalhes que vão inclinar as coisas para o vencedor. O futebol português não parou de crescer, fortaleceu-se e o colombiano tem hoje mais tempero internacional. É isso que os jogadores necessitam", afiança Bermúdez, colocando essa sinalética de orgulho em Ríos e Suárez. "É um grande prazer ver tudo o que estão a demonstrar. O futebol português é um anel no dedo do colombiano. O tempo e as experiências já ocorridas dão segurança e confiança aos nossos craques. O Benfica foi vital para o meu caminho, para consolidar o meu jogo e ajudou-me a ser campeão do mundo pelo Boca", revela.
Bermúdez ainda logrou acompanhar os icónicos e mágicos noventas da Colômbia, num carrossel de vedetas sem igual, com carisma universal. De Valderrama a Asprilla, de Higuita a Rincon. "Viveu-se um período que foi uma década de ouro, na qual houve muito talento e mentalidade para muitos se colocarem à prova fora do país explorando outros mercados. Havia muito futebol e muito caráter", regista, documentando a evolução, atravessando a fusão de gerações. "Cada tempo tem os seus e dentro do que se exige. Hoje para o colombiano emigrar é um movimento natural, para nós era uma batalha. Hoje é muito fácil mostrares o teu talento, antes era mais difícil que acreditassem nele. Se a Colômbia unir a rebeldia com a atualidade seria o ideal para a nossa safra de jogadores, embora alguns já demonstrem isso nas suas atuações".

