Mourinho no Tottenham: Zahavi em vez de Jorge Mendes, o Real Madrid e a palavra da família

José Mourinho volta a sorrir
Twitter/Tottenham
A bem da estabilidade familiar, o português terá posto de lado a hipótese de ir treinar o Real Madrid
Real Madrid ou Tottenham? José Mourinho tinha estas duas hipóteses em cima da mesa, sabe O JOGO, optando pela menos óbvia. Depois de ter estado duas vezes no Chelsea, o treinador decidiu regressar a Londres, cidade onde a família sempre tem residido nos últimos anos.
Mesmo quando Mourinho foi treinar o Manchester United, a mulher (Matilde) e os filhos continuaram a viver em Londres, o que causou algumas dificuldades de adaptação ao técnico, que não lidou bem com a separação dos familiares.
Desta vez, junta-se o útil ao agradável. E a família Mourinho está de novo reunida.
Na transferência para os spurs, participaram três partes nas negociações: o próprio Mourinho; o presidente do Tottenham, David Levy; e Pini Zahavi, um empresário de 76 anos que há várias décadas trabalha como intermediário na compra e venda de jogadores de futebol.
Experiência é mesmo o nome do meio de Zahavi: quando este fez o primeiro negócio internacional no futebol, a democracia dava ainda os primeiros passos em Portugal. Jorge Jesus era defesa-central no Sporting, Octávio Machado jogava no FC Porto e Rui Jordão ainda era do Benfica. Foi em 1976, quando o israelita intermediou a transferência do compatriota Avi Cohen do Maccabi Telavive para o Liverpool, por uma verba a rondar as 200 mil libras (cerca de 230 mil euros, ao câmbio atual).
A amizade entre ele e Levy é de longa data e, face à crise recente de resultados, o presidente dos spurs (cargo que ocupa desde 2001) resolveu dar ouvidos a Zahavi. Foi ele o facilitador, o conselheiro e o intermediário a permitir a contratação de José Mourinho, o técnico ideal para encabeçar novo projeto consistente, capaz de manter os londrinos ao nível dos últimos anos.
E, quiçá, dar o passo para o patamar seguinte: o da conquista de títulos, que Mourinho tão bem sabe como fazer e que, aos spurs, há tanto tempo tem escapado, por vezes por entre os dedos, como foi o caso da época passada, com a derrota na final da Liga dos Campeões por 2-0, frente ao Liverpool.
O Tottenham tem três vitórias em provas europeias, mas a última foi em 1984, e quanto a títulos de campeão de Inglaterra, o último dos dois obtidos foi já em 1960/61.
Quem melhor do que Mourinho (25 títulos, entre os quais quatro em provas europeias) para restituir a capacidade de sonhar para as bandas do novo estádio? Esse terá sido o principal argumento de Zahavi, que já tinha participado na transferência do português para o Chelsea, pelas mãos de Abramovich, o presidente dos blues com quem tinha também excelente relacionamento pessoal, tal como acontece agora com Levy.
De lado ficou o empresário Jorge Mendes, que preferia ter dado outro destino ao negócio. O Real Madrid era a opção número um do agente, que, confrontado com a inesperada decisão do técnico, deixou assim caminho livre a Pini Zahavi para conduzir as negociações com o Tottenham.
Quem não participou nas negociações foi o empresário Jorge Mendes, que preferia ter dado outro destino ao negócio. O Real Madrid era a opção número um do agente, que, confrontado com a inesperada decisão do técnico, deixou assim caminho livre a Pini Zahavi para conduzir as negociações com o Tottenham.
Entre Mendes e Mourinho, aliás, as relações pessoais e profissionais não ficaram minimamente beliscadas, segundo O JOGO apurou junto de fonte próxima do processo.
Nos spurs, por outro lado, chega assim ao fim a era de Maurício Pochettino, o argentino que esteve cinco épocas à frente da equipa - sempre a fazer comichão aos líderes - mas que na atual entrou em queda livre. A temporada até começou bem, mas uma derrota caseira frente ao Newcastle, à terceira jornada da Premier League, começou a semear a dúvida no seio do grupo.
O descalabro, no entanto, ocorreu com o 7-2 sofrido em casa diante do Bayern de Munique, para a Champions, naquela que foi a derrota mais pesada de sempre sofrida em casa por um clube inglês em jogos a contar para as competições europeias.
Não era fácil sobreviver a um cataclismo daqueles e, na realidade, começava aí o fim de Pochettino no clube. A seguir, nova desfeita pesada frente ao modesto Brighton (3-0) dava início a uma série de cinco jornadas seguidas sem vencer na liga inglesa, que ainda perdura.
11537518
