
Reuters/John Sibley
Em entrevista à SIC, o treinador do Manchester United falou sobre o presente do clube de Old Trafford, o seu impacto em Inglaterra e ainda sobre a difícil relação com as redes sociais.
Manchester United pré-Mourinho: "O clube habituou-se a ganhar e a ter sucesso. Houve um período crítico, onde o clube não percebeu que os outros estavam a crescer, que a Premier League estava a criar condições para que os outros clubes crescessem. Quando cheguei em 2004, queria comprar o melhor jogador do Manchester City e comprei. O Manchester United queria o melhor do Arsenal e comprou. Mas o Manchester [United] deixou de ser o clube todo-poderoso que era".
Manchester United pós-Mourinho: "Tivemos empates em que a equipa foi dominadora, teve aí 70 por cento de posse de bola. Via a equipa a sair e as pessoas a saírem contentes do estádio. Ganhar o campeonato este ano é, obviamente, missão impossível, mas existe esta empatia, as pessoas estão contentes e gostam".
Futuro como "red devil"? "Três anos acho que vou ficar. O clube percebeu a necessidade de dar alguma estabilidade. Acho que, se conseguirmos ter sucesso, mesmo que não seja um sucesso massivo, vejo-me a ficar até quererem que eu fique. Não sou capaz de ficar 10 ou 15 anos num clube sem sucesso verdadeiro. Honestamente, gostava que as coisas fossem correndo bem e de ficar aqui uns anos".
Mudança de atitude e polémicas: "É a evolução natural das coisas. Uma coisa é o FC Porto marcar no último minuto em Old Trafford, uma equipa de miúdos, treinada por um miúdo. Outra coisa coisa é 12 ou 13 anos depois reagir de maneira diferente. Continuo a ser um homem superfeliz e até a ser capaz de me comover com uma vitória mais importante. E depois percebi que eu continuo a ser visto e medido com olhos diferentes. Fui impedido de entrar num estádio por dirigir impropérios a um árbitro. Fui banido. Fui expulso por mandar um pontapé numa garrafa. Um treinador empurra um árbitro e não se passa nada, e comecei a perceber que há poderes contra os quais não se luta".
Relação com as redes sociais: "Acho que o jogador lesionado não pode por na rede social o diagnóstico da sua lesão quando o clube ainda não o fez oficialmente, por exemplo. Habituei-me, também. Coisas muito básicas, publicadas quando o rei faz anos e depois aprendi que, com filhos da idade dos meus, não havia volta a dar. Nunca dei voltas pelas redes sociais, nunca o fiz com a imprensa mais tradicional. Não mais do que isso".
