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Foi o herói da final de 1998, que o Real Madrid venceu (1-0) diante da Juventus, quebrando um jejum de 32 anos. O antigo internacional jugoslavo não poupa nos elogios ao lendário capitão dos merengues, apesar de ter compartilhado o balneário com muitos outros craques, como Suker ou Roberto Carlos. Entrevista de Predrag Mijatovic a O JOGO
Mijatovic diz ter tido o privilégio de integrar uma grande geração, que conseguiu uma conquista muito importante para o clube merengue.
Jogou com grandes futebolistas nos clubes por onde passou, se tivesse de eleger um como o melhor de todos, quem escolheria?
-Essa pergunta é muito difícil. Joguei com muitos muito bons. Mas o mais completo que conheci e com quem joguei - o que marcou uma época e de quem continuo a ser um grande amigo -, tendo de escolher apenas um e podendo ser injusto, direi que foi Raúl. Mas, para outras posições, não posso deixar de referir jogadores como Suker, Roberto Carlos, Hierro e tantos mais.
Considera esta equipa do Real Madrid mais completa que aquela de que fez parte e com a qual foi campeão europeu em 1998?
-É difícil dizer. É sem dúvida uma grande equipa, tal como era a minha naquela altura. O futebol mudou nestes anos, tudo o que está à volta do futebol, dos jogadores, mudou, até por culpa da comunicação social. Hoje os futebolistas estão submetidos a uma pressão mais intensa, sobretudo as grandes estrelas, e o Real Madrid tem muitas. Mas falando apenas de qualidade dos jogadores, sem precisar de puxar muito pela cabeça, nós também tínhamos muitas estrelas, como Hierro, Redondo, Karembeu, Seedorf, Raúl, Suker... era uma equipa fantástica. Nisso, o Real Madrid continua igual.
No presente, o Real Madrid tem o trio chamado BBC, com Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo. Formou também um tridente ofensivo famoso com Raúl e Suker...
-Como lhe chamaríamos? O MRS? Penso que hoje é algo que está na moda, o BBC, o MSN, do Barça... Posso dizer que tive a sorte de fazer parte de uma grande geração que representou o Real Madrid e conseguimos algo muito importante, que foi conquistar uma Champions, que o clube não vencia há muitos anos. Mas então como agora, independentemente da qualidade dos jogadores, penso que estas finais são ganhas pelo grupo, são ganhas em equipa.
Como avalia o trabalho de Zinedine Zidane neste ano e meio?
-Zidane fez um excelente trabalho. A primeira coisa que valorizo no trabalho dele foi o que fez na temporada passada. Tomou conta da equipa em janeiro, numa fase complicada - uma equipa que apesar de ter grandes futebolistas, estava a ter grandes problemas, resultados preocupantes -, e rapidamente soube criar empatia com os jogadores, fazendo-se respeitar, o que é fundamental e muito importante. E acabou a época conquistando a Champions, o que dá muita energia para continuar a voar.
O Real Madrid voltou a ser campeão espanhol cinco anos depois e vai jogar a final da Liga dos Campeões. Pensa que a gestão de Zidane, nomeadamente a forma como poupou Cristiano Ronaldo em alguns jogos, foi decisiva?
-Tal como na primeira época, Zidane tem mantido uma excelente comunicação com os seus jogadores, penso que é uma ajuda o facto de ter sido um grande jogador - percebe muito bem como pode viver um futebolista que representa o Real Madrid. Tem feito um grande trabalho e sempre que foi necessário tomar decisões, algumas complicadas, tomou-as. Penso que terá surpreendido muitas pessoas pela sua capacidade de tomar decisões. Fico muito feliz por ele, é muito boa pessoa e agora está a demonstrar que é também um grande treinador.
