
Ait-Nouri foi um dos jogadores do City que aproveitou a pausa para comer
Leeds
Durante o jogo de sábado entre o Leeds e o Manchester City, foi feita uma curta pausa para que os jogadores muçulmanos, que se encontram a cumprir um período de jejum por causa do Ramadão, pudessem comer e beber. No entanto, muitos adeptos não gostaram, reagindo com assobios
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O Leeds reagiu com desilusão após vários adeptos terem contestado em Elland Road, durante a derrota de sábado com o Manchester City (0-1), para a Premier League, uma curta pausa para que os jogadores muçulmanos, que se encontram a cumprir um período de jejum por causa do Ramadão, pudessem comer e beber.
Num email enviado pelo oficial de ligação do clube aos adeptos, revelado esta segunda-feira pela BBC, o clube manifesta-se "profundamente perturbado e envergonhado" por estes assobios, que surgiram numa altura em que os três jogadores muçulmanos titulares do City - Rayan Cherki, Rayan Ait-Nouri e Omar Marmoush - aproveitaram cerca de um minuto para se hidratarem e comerem suplementos energéticos.
"O clube está ciente do incidente e foi desapontante que alguns adeptos optassem por vaiar durante a pausa para permitir que os jogadores que observam o Ramadão quebrassem o jejum. O clube está atualmente a investigar por que isto aconteceu e o que pode ser feito para evitar que incidentes similares ocorram no futuro", pode ler-se.
Também Daniel Farke, treinador do Leeds, reagiu a este caso em antevisão ao próximo jogo dos "peacocks", contra o Sunderland (terça-feira, 19h30), suspeitando que os assobios não foram motivados pela questão religiosa, mas sim pelo que aconteceu no jogo da primeira volta do campeonato com o City.
"Para ser honesto, se foi realmente uma falta de respeito devido à pausa, então temos de aprender com isto. Durante o jogo, não foi essa a minha sensação, porque foi uma surpresa para todos haver essa pequena pausa. Não tenho certeza se todos estavam conscientes de quando o sol se pôs e também tivemos o primeiro jogo contra o Manchester City e houve uma paragem quando o Pep [Guardiola] reuniu todos os jogadores e falou com eles [enquanto o guarda-redes Gigi Donnarumma pedia assistência médica]. Tivemos um excelente começo neste jogo, estávamos a lutar e a dominar nos primeiros dez minutos e os nossos adeptos sentiram que eles estavam a fazer o mesmo do que no primeiro jogo e por isso vaiaram. Não penso que tenha tido a ver com a pausa para o Ramadão, não creio que alguém estivesse realmente consciente. Alguém me disse que estava [uma mensagem] no ecrã [do estádio], mas não tenho a certeza se todos estavam a olhar para o ecrã naquele momento", apontou.
"Se, do ponto de vista de algumas pessoas, foi uma falta de respeito, então isso não é aceitável e temos de aprender com isso. No geral, o futebol e nós, como equipa, não há melhor lugar para conviver com diferentes passaportes ecom diferentes religiões do que num clube de futebol e no nosso grupo. Sei que há muita solidariedade e todos apoiam o mesmo grupo. A minha sensação é que os adeptos nem sabiam o que estava a acontecer", completou o técnico alemão.
Recorde-se que Pep Guardiola, por outro lado, não teve dúvidas quanto ao que motivou os assobios dos adeptos do Leeds, com o treinador do City a ter reagido com muita desaprovação, exigindo que respeitem "as religiões e a diversidade".

