
Uma adenda ao relatório do árbitro pode tramar o Grémio de Porto Alegre devido a atitudes racistas. Antes de ver na televisão, o juiz até tinha ameaçado com expulsão a principal vítima dos adeptos.
O racismo voltou a atacar no futebol brasileiro. Aconteceu na receção do Grémio de Porto Alegre ao Santos, em jogo a contar para a Taça do Brasil. A vítima foi Aranha, guarda-redes santista, que durante a partida se queixou ao árbitro do comportamento dos adeptos da casa e até foi ameaçado de expulsão, por, alegadamente, no entender do juiz, estar a provocar os adeptos. Daí que no relatório de incidências do árbitro Wilton Pereira Sampaio constassem apenas duas situações consideradas dignas de registo: um protesto de Scolari e o arremesso de um rolo de papel higiénico para o interior do retângulo de jogo.
Depois de ver os resumos da partida, o árbitro mudou de opinião e enviou por mail uma adenda ao relatório. A ESPN Brasil, que transmitiu a partida, mostra uma adepta a chamar por duas vezes "macaco" ao guarda-redes do Santos, enquanto uma parte dos adeptos emitem sons a imitar símios. Paulo Schmitt, procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, confirmou ao jornal "Zero Hora" o envio da adenda, acrescentando que a justiça desportiva brasileira já pediu mais imagens e outras provas para serem analisadas. Por ser reincidente, o Grémio incorre numa pena que poderá ir de uma longa interdição do estádio até à expulsão da prova. Esta época, o clube já tinha sido multado em 80 mil reais (cerca de 27 mil euros) por ofensas racistas ao defesa-central Paulão, do grande rival Internacional de Porto Alegre no jogo que decidiu o vencedor do Campeonato Gaúcho.
Se nas bancadas o comportamento dos adeptos do Grémio deixou muito a desejar, no relvado as coisas não foram diferentes. Mesmo a jogar em casa, a equipa de Scolari foi batida por 0-2, estando agora obrigada a ir vencer à Vila Belmiro.
Aranha disse à ESPN Brasil que está habituado a que lhe chamem preto e até tolerou quando das bancadas gritaram "preto fedido", mas a imitação de macacos deixa-o fora dele.
No Brasil, o racismo é crime sem direito a fiança nem prescrição, mas só é classificado assim tratando-se de ofensas coletivas. Ou seja, o insulto à instituição Santos seria racismo, o que aconteceu no estádio do Grémio, por visar um jogador, foi uma injúria racial, punível pelo Código Penal com pena de prisão de um a três anos.
